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	<title>Gerações em diálogo</title>
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		<title>Gerações em diálogo</title>
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		<title>Rachid, o menino da televisão</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Oct 2007 21:13:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Rachid é um menino de cabelos negros encaracolados e olhos claros. Uns olhos enormes, luminosos e travessos. Quando chega a casa, vindo da escola, atira com a pasta para um canto e liga a televisão. Lancha diante do pequeno ecrã. Não tira os olhos das imagens, mesmo quando entorna a chávena de chocolate quente. A [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=20&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><span style="font-size:14.5pt;color:#003366;font-family:Verdana;"></span></strong><span style="color:#003366;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="line-height:125%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:10pt;color:#003366;line-height:125%;font-family:Verdana;"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#003366;line-height:125%;font-family:Verdana;"></span><span style="font-size:10pt;color:#003366;line-height:125%;font-family:Verdana;"></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:10pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;"></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid é um menino de cabelos negros encaracolados e olhos claros. Uns olhos enormes, luminosos e travessos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Quando chega a casa, vindo da escola, atira com a pasta para um canto e liga a televisão. Lancha diante do pequeno ecrã. Não tira os olhos das imagens, mesmo quando entorna a chávena de chocolate quente. A mãe chama-o repetidas vezes, mas Rachid nem lhe responde. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Não a ouve. É como se nem estivesse ali. As imagens fascinam-no, enfeitiçam-no, puxam-no para dentro da televisão. Já não obedece ao pai nem à irmã mais velha. Estão todos cansados de o chamar à razão. Danièle, a sua professora, podia impedi-lo de ver televisão, mas não mora com ele. Rachid tem receio dela, porque Danièle é bonita. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Está apaixonado por ela. Quando fala da professora, cora e gagueja. Diz: &#8220;A Danièle tem olhos azuis e eu gosto de olhos azuis.&#8221; Na realidade, a professora tem olhos verdes. Só que, para ele, são azuis e sonha muito com eles. Os pais de Rachid sabem que só ela pode rivalizar com a televisão. Um dia, o menino ficou doente e Danièle veio visitá-lo. Trouxe-lhe um livro, <em>Os Contos de Goha</em>. Mal a viu entrar, Rachid apagou a televisão e olhou-a com os olhos de um apaixonado. Nem sequer abriu o livro.</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Ainda bem que Rachid é inteligente. Pode fazer os deveres enquanto assiste a um episódio de uma série americana, ou enquanto joga <em>O Jogo Louco</em>. Mas, às vezes, confunde as perguntas do jogo e as da professora, a voz do animador e os apelos constantes da mãe.</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Então, tudo se mistura na sua cabeça e perde o sono. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Um dia, dá-se uma catástrofe! O televisor avaria! Triste e infeliz, Rachid anda às voltas no apartamento. Tenta reparar o aparelho, mas em vão. Pede à mãe para ir a casa dos vizinhos ver televisão, mas os vizinhos estão fora. Põe os auscultadores do seu walkman e fecha os olhos, mas não consegue ver nada. Não quer abrir a pasta nem beber o chocolate quente. Está de mau humor e trata mal a irmã. Quando o pai chega a casa, Rachid parte um prato. É castigado e vai para o quarto sem jantar. Chora e amaldiçoa este tipo de técnica que lhe prega partidas de mau gosto. &#8220;Que vai ser de mim sem televisão?&#8221;pergunta-se. &#8220;Vou tornar-me num sem-abrigo, num vagabundo. Já não tenho imagens para me sustentar! Que raio de aparelho é este que já não funciona? Vou escrever para os jornais, para que as pessoas não comprem mais esta marca…&#8221; Nessa noite, tem um pesadelo: imagens de todas as cores invadem o quarto e rasgam-lhe os livros e os cadernos. Saem de um televisor desligado, atravessam as paredes, as janelas, até mesmo o pequeno corpo de Rachid, que se encontra encostado a um canto da cama, cheio de medo e a tremer. Deitam os objectos ao chão, derrubam o candeeiro da mesinha de cabeceira e partem a moldura com a fotografia de Rachid e de Danièle. O menino carrega no comando com todas as forças, mas as imagens não param: nem o barulho que fazem, nem a desordem que provocam. Alertado pelos seus gritos, o pai vem ver o que se passa. O filho está lavado em lágrimas e encharcado em suor. O pai toma-o nos braços e promete-lhe uma viagem a Marrocos, nas férias da Páscoa. Em breve, o televisor é reparado e Rachid retoma os seus hábitos antigos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— As imagens não passam de imagens — diz-lhe o pai. — Que me dizes a tentarmos descobrir, por detrás dessas imagens, paisagens maravilhosas, montanhas extraordinárias, florestas imensas, árvores mais altas do que o nosso prédio, planícies infinitas, animais selvagens e um céu azul de dia e estrelado à noite…? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não, papá. Posso ver tudo isso na televisão, a cores, em grande plano e com música. Na montanha, não há música. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Há o canto dos pássaros, o sussurro das árvores, os gritos das crianças a brincar, o soprar do vento. Sobretudo há silêncio, pode-se ouvir o silêncio… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não preciso de ir tão longe. Tenho tudo isso na televisão. Quando não gosto do que estou a ver, mudo de canal. A montanha está sempre lá, não podes mudá-la de lugar. Estou bem aqui. Não preciso de me mexer. Não preciso de me separar dos meus amigos. Também não tenho vontade de faltar ao concurso de patins. Aqui não tenho frio, nem preciso de comer com as mãos. Não me apetece escutar o silêncio. Não me apetece ir a Marrocos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Mas, em Marrocos, estaremos em férias. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Eu sei que na montanha não há televisão. Disseste-mo. O avô nem sequer tem electricidade. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Na montanha, não precisamos de televisão. É maravilhoso: temos a realidade em vez das imagens. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— O avô nem sequer fala francês. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Fala alguma coisa, assim como tu percebes um pouco de árabe. Vais ver que se vão entender lindamente. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não, não quero deixar a televisão. Vão passar a <em>Missão Impossível</em>.</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Quando lá estiveres, vais esquecer a televisão. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não, papá, nem pensar. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">No dia seguinte, o pai traz-lhe um bonito livro sobre as montanhas de Marrocos. Rachid mal olha para o livro. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não presta para nada! — diz ao pai. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">O pai sente que também ele não presta. Sente-se triste e incapaz de convencer o filho de oito anos a acompanhá-lo à sua aldeia natal. A televisão rouba-lhe o filho. Parti-la não serviria de nada. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">A criança está enfeitiçada e os pais sentem-se infelizes. Decidem ir falar com a professora. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— O Rachid passa todo o tempo em frente da televisão. Tentámos tudo para o afastar, mas em vão. A minha mulher e eu tivemos a ideia de o mandar para Marrocos, para casa do avô, nas férias da Páscoa. Pelo menos, lá não há televisão. O avô dele é um contador de histórias nato. Conhece a natureza, as estrelas, os vulcões, as montanhas, os animais… Ajude-nos a convencê-lo a ir a Marrocos. Se o convencer, ele vai… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Antes de partir, o pai oferece a Danièle um livro sobre as montanhas de Marrocos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Alguns dias mais tarde, enquanto trocava de canal freneticamente, Rachid perguntou ao pai: </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Papá, é verdade que o avô tem um telescópio? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Apanhado de surpresa, o pai respondeu: </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Claro, usa-o para observar as estrelas. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Papá, é verdade que na escola corânica não é preciso fazer deveres? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Sim, é verdade. Passas todo o tempo a ler o Corão, o livro sagrado dos Muçulmanos. Só isso. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Papá, é verdade que em Marrocos o céu está sempre azul? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Sim, embora os camponeses gostem que chova de vez em quando porque temem as secas. Uma terra sem água pode morrer. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Papá, é verdade que o céu de Marrocos é o mais estrelado do mundo? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— O céu está quase sempre coberto de estrelas. Até se atropelam para velar sobre os sonhos dos pequenos Marroquinos… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Papá, posso levar a tua malinha de couro, aquela que nunca me queres emprestar? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Sim, filho, podes. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Se me deixasses ver um pouco mais de televisão antes de partir… já que em Marrocos não vou poder ver…sentiria menos a falta dela… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Acordo firmado. Mas Rachid tem pena que o pai se recuse a comprar um videogravador para gravar os programas que não poderá ver. Diz aos colegas da escola que vai fazer uma expedição a África! &#8220;Ao norte de África, mais precisamente a Marrocos, o país onde as estrelas quase se atropelam para velar sobre os sonhos das crianças…&#8221; </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Na Primavera, Marraquexe está um pouco mais ocre do que habitualmente. As montanhas conservam ainda alguma neve nos cumes. Os prados estão verdes, o ar é seco e as pessoas estão bem dispostas. Gostam de brincar, de contar histórias e de organizar festas. De entre todos os habitantes de Marrocos, os cidadãos de Marraquexe são os que têm mais sentido de humor. Vêem a vida pelo lado bom e são hospitaleiros. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid o e o pai chegam ao aeroporto ao fim da manhã. Antes de apanharem a camioneta para irem para a aldeia do avô, vão à cidade comer num restaurante, situado em frente da praça Jamaa El Fna. É lá que se encontram os contadores de histórias, os saltimbancos e os encantadores de serpentes. Comem espetadas e bebem chá de menta. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid reparou num pequeno televisor que transmite imagens de um homem cego a falar de religião. O homem tem um turbante branco, está sentado sobre esteiras numa mesquita e explica versículos do Corão. &#8220;Deus criou os homens todos iguais&#8221;, diz, erguendo os olhos para o alto, &#8220;apenas a fé os distingue; só a sua ligação à virtude e o respeito pela palavra de Deus estabelecem diferenças entre eles…&#8221; </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid fixa o ecrã, de boca aberta. Nunca viu este programa em lado algum. — No Islão — diz o pai — não há racismo. Todos os homens que acreditam em Deus são iguais. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid replica: </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— E os que não acreditam em Deus? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Estão errados. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— E eu, acredito em Deus? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Sim, Rachid. Deus é o universo, a bondade, o céu… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Sim, acredito no céu coberto de estrelas…enfim, tenho de o ver. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Vê-lo-ás esta noite. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Na camioneta, as pessoas atropelam-se e discutem por causa de um lugar para o qual foram vendidos dois bilhetes. Alguns passageiros intervêm e tudo acaba em gargalhada. Os olhos de Rachid estão esbugalhados. Registam tudo. É como se estivesse noutro mundo. A expedição a África acaba de começar!</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Há camponeses que entram com galos e perus. Levam-nos de volta para a quinta, porque o mercado não é bom desde que deixou de chover. Um homem pega num pão redondo, corta-o em quatro partes e oferece uma delas a Rachid, que hesita. O pai estende a mão, pega no pão e agradece ao homem. — Nunca deves recusar um pedaço de pão ou um copo de água que te ofereçam. É uma tradição nossa. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Um passageiro põe um aparelho de rádio no máximo, para ouvir um relato de futebol. Fuma cigarro atrás de cigarro. Ninguém ousa dizer-lhe nada. Um homem diz ao pai de Rachid: </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não ligues; é destrambelhado. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Quando chegam ao sopé da montanha, já Rachid dorme nos braços do pai. O avô espera-os, com um candeeiro a gás na mão. A noite está escura e sopra um vento ligeiro. Quando abre os olhos, Rachid aninha-se contra o avô, Jeddi. A casa tem um pátio quadrado descoberto. As paredes são feitas de adobe, uma mistura de terra batida, palha e hulha. Em frente à entrada, fica o estábulo onde dormem as vacas. Rachid passeia no pátio, espantado com o que vê. É a primeira vez que vê a casa do avô. Costumava ver Jeddi em Marraquexe, em casa do tio que tem uma loja de frutos secos, mesmo à entrada da medina. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid não tem sono. Levanta a cabeça e conta as estrelas. Fica com vertigens. Resiste ao sono, apesar da fadiga e do esforço da mudança. Quer passar a primeira noite a contemplar o céu. À meia-noite, fecha os olhos e adormece, com a cabeça pousada nos joelhos de Jeddi. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">No dia seguinte, o pai vai-se embora e deixa Rachid a brincar com os cães, os gatos, os coelhos e o burro. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Vou tratar de problemas com o teu tio em Marraquexe. Venho buscar-te dentro de dez dias. Porta-te bem e ouve o teu avô.</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não te preocupes, papá. Aqui não há televisão. Espero que ele me conte histórias. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">À tarde, quando os animais se recolheram, Jeddi pega na mão de Rachid e leva-o para debaixo de uma grande árvore. Na realidade, a árvore é pequena. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Dizemos que é grande, não pelo tamanho, mas pela idade e pela calma que nos incute — explica Jeddi. — É uma argânia. Dá um fruto semelhante às azeitonas pretas. As cabras comem-no, mas rejeitam os caroços. Estes são apanhados e postos a secar ao sol durante toda uma estação. Quando os esmagamos com a mó, dão um líquido negro, que, uma vez purificado, se transforma em azeite. Um azeite suculento e raro: o azeite de argânia. É melhor que o azeite da oliveira. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não gosto de azeite. Em França, usamos manteiga. Faz-se publicidade a um azeite leve, que não faz engordar. Na televisão, aconselham-nos a comer manteiga. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid aprende a fazer pão com a avó. Assiste a toda a operação: chega mesmo a ver os pães a sair do forno, que está situado no meio do pátio. Depois, vai dar um passeio com o avô até à aldeia. Caminham por estradas cheias de pó. A praça da aldeia assemelha-se a uma cerca onde se guardam os animais. Há duas lojas que vendem de tudo: Coca-Cola, pastilha elástica, detergente, óleo de amendoim, pregos, foices, lâminas de barbear, candeeiros a petróleo ou a gás, ovos, farinha, aspirinas, cordas, enxadas, apanhadores, rodas de tractor, bidões de plástico, pão, cadernos de escola e até mesmo um pequeno televisor japonês a pilhas! </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Jeddi pára diante da loja, que também vende café, e senta-se numa caixa. Rachid bebe uma Fanta com sofreguidão. As pessoas vêm cumprimentar Jeddi e beijar Rachid, a quem oferecem presentes: bombons, bebidas, dinheiro, um chapéu de palha, uma túnica de lã, favas grelhadas, azeitonas, tâmaras e figos secos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Todos se conhecem e todos falam da mesma coisa: da falta de chuva. Estão persuadidos de que a chegada de Rachid lhes trará boa sorte e fará vir a chuva há tanto esperada. Diz um homem: </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Este menino veio anunciar-nos a chuva; vê-se pela cara dele; está calado, mas tudo indica que é portador de boas notícias. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">No caminho de regresso a casa, Rachid farta-se de fazer perguntas ao avô. Reparou que a água é escassa, que não há água nas torneiras. É preciso ir buscá-la aos poços, filtrá-la e fervê-la antes de a beber. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Pelo caminho, repara que há mais mulheres do que homens a trabalhar nos campos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Esta noite, vou falar-te das estrelas — diz-lhe Jeddi. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid adormece depois do almoço e tem um sonho muito bonito: vê a mãe, que está vestida como as mulheres dos campos. Dança e canta à chuva. Os homens misturam-se com as mulheres e dançam também para agradecer ao céu ter-lhes dado chuva e esperança. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Quando acorda, o céu está cheio de nuvens negras e todos esperam pela tempestade. Começam, então, a cair chuvas diluvianas sobre a região. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">À noite, os vizinhos vêm ver o menino que lhes trouxe sorte. Colocam uma mão sobre a sua cabeça e aproximam os lábios para a beijar. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Nessa noite, Rachid tem vontade de estar em casa, com os pais e a irmã. Pensa na televisão, mas sente que já não lhe faz muita falta. Não percebe o que se está a passar com ele. Desfilam imagens pela sua cabeça. Imagens de séries e de filmes que costumava ver em França. Essas imagens misturam-se com as da aldeia. Lutam umas com as outras e Rachid faz de árbitro. Torce pelas imagens da aldeia: não são mais belas, mas são mais misteriosas.</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">No dia seguinte, depois do jantar, Jeddi pega na mão de Rachid e sentam-se num velho tapete, à entrada de casa. Diz ao neto: </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Ergue os olhos para o céu. Contempla-o sem pressa. Habitua o teu olhar à obscuridade. Vê a Lua em quarto crescente. Diz a ti mesmo que todos somos filhos do céu. Alguém disse que as nossas raízes estão nas estrelas. Isso significa que todos somos filhos e filhas do universo. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Vejo muitas estrelas… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Só podes vê-las bem, depois de os teus olhos se terem habituado à obscuridade. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— O que é uma estrela? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— É uma imensa bola de luz. A estrela que está mais próxima de nós, e que é também a mais conhecida, é o Sol. Ilumina o mundo e fornece-lhe calor. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— É o senhor do universo… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— É o nosso mestre e amigo. Mas gosta de nós de longe. Se se aproximar demasiado de nós, os seus raios queimam-nos. Impede as nuvens de se formarem e a terra fica sem água. Uma terra sem água é uma infelicidade para todos nós. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— É a seca… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Na nossa região, a seca é sinónimo de infelicidade. De cada vez que ela surge, os camponeses abandonam as terras e vão mendigar para a cidade. Quem tiver água está salvo. É por isso que ter água é mais importante do que ter terra. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— E a Terra? Para onde vai a Terra? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— A Terra não é uma estrela, mas sim um planeta. Gira sem cessar à volta do Sol. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— O que procura a Terra? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Faz o que fazem os outros planetas. Sabes, não somos os únicos a girar em torno do Sol. Ao todo, há sete planetas: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Platão e a Terra. A Terra dá-nos o dia e a noite. A noite traz-nos os sonhos e os sonhos ajudam-nos a viver. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Jeddi, como sabes tudo isso? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Quando tinha a tua idade, era pastor. Levantava-me antes do sol raiar e levava as vacas a pastar longe da aldeia. Tinha doze vacas à minha guarda. Só tinha por companhia um cão, Messaoud. Ia à procura de erva para os meus animais. Tal como os meus antepassados, contemplava o céu, para saber o que se ia passar na terra: se ia chover, se os ventos iam empurrar as nuvens na direcção certa. Habituei-me a consultar o céu para tudo. O meu pai dizia que cada ser humano tem uma estrela no céu. À noite, isolava-me e perscrutava o céu, em busca da minha estrela. À força de tanto o observar, aprendi bastantes coisas e o meu pai explicava-me outras. Conhecia o nome de muitas estrelas. Dizia-me que, para nós, Árabes, a Ursa Maior é como uma caravana no horizonte. Se a seguirmos, ela conduzir-nos-á à nossa estrela. Então, eu caminhava pelo céu durante horas, montado na Via Láctea, à procura da minha estrela. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Como é a tua estrela? Como se chama? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Dei-lhe o nome da minha primeira filha, Nejma, que morreu muito jovem. Sei que ela foi ter com a minha estrela. Instalou-se na sua luz e ficou coberta da sua pureza e da sua beleza. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Podes mostrar-ma? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Gostaria muito, mas os meus olhos já não vêem muito bem, e tenho dificuldade em distinguir os astros no céu. Mas tu podes encontrá-la quando fores à procura da tua própria estrela. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Em Paris, o céu está sempre encoberto. O que hei-de fazer para encontrar a minha estrela? Como a reconhecerei? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Reconhecê-la-ás sem esforço. Sentirás, com convicção, que se trata dela. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Tenho de vir viver para a aldeia… </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não forçosamente. Vens ver-me sempre que estejas em férias. No Verão, por exemplo…</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Este Verão, em França, vão passar um filme que todos os miúdos americanos já viram. Chama-se <em>A nova guerra das estrelas</em>. O herói chama-se Jeddi, como tu!</span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— É avô, como eu? </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Não, não é casado! </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Contas-me depois? Gostava que me contasses o que vês na televisão. De vez em quando, vamos à aldeia ver filmes egípcios. Sempre é uma mudança. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Rachid adormece nos joelhos do avô. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">No dia seguinte, acompanha-o ao mercado. Partem numa mula. Há camponeses de terras vizinhas a venderem os seus produtos. Jeddi não vende nada, só mostra o mercado ao neto. As pessoas cumprimentam-no. Também há contadores de histórias, acrobatas, mágicos. Um homem vende flocos que custam muito dinheiro. É muito alto e está vestido de Super-Homem. Diz que a mãe o alimentou com estes flocos e que, por isso, se tornou um Super-Homem. Está calor e o homem transpira muito. As pessoas riem-se. Algumas compram os flocos e comem-nos mesmo ali. Mas logo mudam de cor e cospem fora o que comeram. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Todas as noites, avô e neto se sentam no mesmo tapete e observam o céu. Rachid está impaciente porque não consegue encontrar a sua estrela. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— Há milhares de estrelas. É impossível vê-las todas, mesmo com o auxílio de aparelhos. Sê paciente e passeia pelo rio celeste. Quando a tua estrela te vir, vem ter contigo e apresenta-se. Pode acontecer hoje, amanhã ou no próximo ano. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Nesse momento, uma cauda luminosa atravessou o céu a toda a velocidade. Rachid exclamou: — É ela! Corre como eu! </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">— O que viste é uma estrela cadente. Provém de poalha celeste. Está a fugir de alguma coisa, talvez do Sol. Não é a tua estrela. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Todas as noites, Rachid pensa ter visto a sua estrela. Quando o pai o vem buscar para voltarem para França, encontra o filho triste e insatisfeito. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Jeddi abraça o neto com força: — No Verão, o céu está mais limpo e as estrelas vêem-se com mais facilidade. Vais ter mais sorte. Estarei à tua espera. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Na viagem de regresso, Rachid conta ao pai tudo o que aprendeu. Na escola, oferece à professora uma pulseira de prata que a avó lhe deu. Só fala de Jeddi, das estrelas, dos planetas e de Marrocos. Em casa, diante da televisão, está distraído. Não que já não queira ver, mas sabe agora que há outras maravilhas, outras imagens. Basta levantar os olhos para o céu e interrogar as estrelas. Numa noite de Verão, sentado num tapete junto de Jeddi, acaba por encontrar a sua estrela. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">As imagens do ecrã têm menos mistério do que uma pequena árvore chamada argânia, ou do que um mercado árabe cheio de camponeses, animais e Super-Homens falsos. </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:9.5pt;color:#003366;line-height:140%;font-family:Verdana;">Mas Danièle continua a ter olhos azuis. </span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#003366;font-family:Verdana;">Tahar Ben Jelloun/Baudoin</span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9pt;color:#003366;font-family:Verdana;">Rachid, l&#8217;enfant de la télé</span> </em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#003366;font-family:Verdana;">Paris, Éditions du Seuil, 1995<br />
Texto Adaptado</span></p>
<p></span></p>
<p>De <a href="http://verticalizar.wordpress.com/">Verticalizar</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/20/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=20&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 14:03:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu poderia ter nascido no Reino de Inglaterra, ter bonitos chapéus, e deixar-me conduzir numa carruagem puxada por dezoito cavalos. Saudaria a multidão com um pequeno gesto da minha mão e sorriria sem razão, pensando na tarte de maçãs que me iriam servir para o chá. Poderia também ter nascido Crocodilo e crescido na margem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=18&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu poderia ter nascido no Reino de Inglaterra, ter bonitos chapéus, e deixar-me conduzir numa carruagem puxada por dezoito cavalos.<br />
Saudaria a multidão com um pequeno gesto da minha mão e sorriria sem razão, pensando na tarte de maçãs que me iriam servir para o chá.</p>
<p>Poderia também ter nascido Crocodilo e crescido na margem do Nilfertiti.<br />
Teria devorado todos os turistas barrigudos com os seus calções curtos e chapéus, mais as suas máquinas fotográficas, mal eles pousassem um dedo do pé nas margens da minha estância turística.</p>
<p>Melhor ainda! Poderia ter sido um Emir Rico!<br />
Teria dado a volta ao mundo, em Rolls-Royce num dos sentidos e de bicicleta banhada a ouro no outro.<br />
No resto do tempo, teria contado o meu tesouro na erva do meu magnífico jardim mesmo no meio do deserto.</p>
<p>Poderia ter sido também uma Horrível Velha Feiticeira.<br />
Teria transformado todas as princesinhas em mosquitos com a minha vassoura maléfica. E, troçando delas, metê-las-ia no meu celeiro cheio de aranhas.</p>
<p>Poderia até ter nascido Touro. Belo, forte e absolutamente sedutor.<br />
Teria feito a corte a todas as vacas dos arredores e tê-las-ia levado em viagem de núpcias a uma China fictícia, umas a seguir às outras.</p>
<p>Teria podido tornar-me General-chefe com um quépi coberto de estrelas, com inúmeras condecorações, com mísseis sempre preparados a tempo, e canhões sempre prontos para o que desse e viesse.<br />
E, durante as minhas férias, sonharia num tapete de bombas com um exército de soldadinhos de chumbo muito obedientes.</p>
<p>Por fim, poderia ter sido Imperador do Mundo.<br />
Empoleirado no meu trono, com uma coroa tão alta como a Torre de Babel, tomaria conta de toda a Terra, desde os mais reles pulgões aos mais importantes do planeta, Todos os anos, eu convidaria a Rainha de Inglaterra, o Crocodilo, o Emir Rico, a Horrível Velha Feiticeira, o Touro, o General, etc., para uma grande festa dada no meu palácio.<br />
Todos eles aplaudiriam cada palavra do meu discurso.</p>
<p>Mas eu sou Ming. Mais ninguém.<br />
Vivo no centro da China, nas margens do lago Koukonor.<br />
Todos os dias ponho o meu chapéu de bambu entrelaçado e umas calças bem largas. Todos os dias, antes do sol nascer, parto com a minha pequena Nam para a aldeia.<br />
Ela pega com a sua mão pequenina na minha mão e saltita todo o caminho fazendo baloiçar as suas tranças.</p>
<p>Caminhamos os dois sem nos apressarmos muito. Eu entrego Nam na escola e vou vender os meus coscorões de gengibre ao longo da rua comercial da aldeia.<br />
Aqui, toda a gente me conhece. Muitas vezes vou até casa de Liang, que tem uma loja de chás. Somos velhos amigos.</p>
<p>Todas as tardes, Nam e eu subimos o caminho que nos conduz a casa.<br />
Ela conta-me o seu dia. E canta. E salta ao pé-coxinho.<br />
O seu riso ziguezagueia na noite que cai suavemente.</p>
<p>É assim a nossa vida.</p>
<p>Todos os dias.</p>
<p>Mudam apenas a cor dos arrozais e o perfume das caixas de chá.</p>
<p>Esta manhã, quando íamos a caminho da escola, encontrámos um sapo quase azul!<br />
Eu também podaria ter sido um Sapo quase Azul!<br />
E pensei nas Rainhas de Inglaterra, nos Crocodilos, nos Emires Ricos, nas Feiticeiras, nos Touros, nos Generais, nos Imperadores do Mundo e nos Sapos quase Azuis.</p>
<p>Neste momento devem estar a dizer para si próprios: «Ah! Se eu tivesse podido nascer Ming! Seguraria a mãozinha de Nam bem fechada na minha e seria o avô mais feliz do mundo.»</p>
<p>Enquanto Nam dormia, peguei no seu caderno de escola. Escrevi no fundo da última página, discretamente:</p>
<p>P.S. (pequeno segredo): Nam, meu anjo, amo-te muito.</p>
<p>E assinei com letras muito pequenas:</p>
<p>eu, Ming.</p>
<p>Clotilde Bernos; Nathalie Novi<br />
<em>Eu, Ming</em><br />
Porto, Ambar, 2007</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=18&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O avô Lop</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 13:43:28 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[amizade]]></category>
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		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
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		<description><![CDATA[No fundo da floresta dos sonhos há um grande arbusto. Os ramos entrelaçam-se por cima, formando um guarda-chuva verde e viçoso que protege dos aguaceiros de cristal do início de Abril e de Maio todos os seres que ali vivem. A chuva cai durante uma ou duas horas, e depois os raios dourados do sol, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=17&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">No fundo da floresta dos sonhos há um grande arbusto. Os ramos entrelaçam-se por cima, formando um guarda-chuva verde e viçoso que protege dos aguaceiros de cristal do início de Abril e de Maio todos os seres que ali vivem. A chuva cai durante uma ou duas horas, e depois os raios dourados do sol, como surgidos do país das fadas, escorrem pelas folhas até chegarem ao chão. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Foi aí que, durante toda a vida, brincaram e viveram os coelhos da floresta. Havia coelhos com grandes rabos fofinhos e coelhos quase sem rabo – pequenos, gordos, magros, peludos, e um coelho muito velho chamado avô Lop.</font> </span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O avô Lop era tão velho que há já muito tempo que o pêlo embranquecera. Usava um cachecol à volta do pescoço e andava sempre com um pau torcido que lhe servia de bengala.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Todas as tardes, por volta das duas ou três horas, o avô Lop sentava-se no seu tronco preferido a desfrutar do calor do sol. Sentava-se em silêncio até que – sem se aperceber – todos os coelhinhos pequenos se juntavam aos seus pés. Eles bem tentavam ficar calados mas era tão difícil que alguns até tinham de meter as orelhas na boca para não se rir. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nO avô Lop recostava-se no tronco, olhava à sua volta e começava, numa voz muito suave e baixa: \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Em tempos que já lá vão, no país da névoa e das coisas mágicas, havia uma floresta encantada…\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nÀ medida que ia contando a história, muito devagar, algo de estranho e maravilhoso acontecia. O avô Lop começava a endireitar-se cada vez mais. A luz do sol brilhava nos seus olhos castanhos e cintilava pela floresta, e o seu pêlo reluzia.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Os coelhinhos ficavam completamente encantados à medida que ele contava a sua história, porque, de um momento para o outro, o velho avô Lop se transformava no mágico da floresta. Os coelhinhos, tão fascinados pela história, nem davam conta quando ela chegava ao fim. O avô tinha de dizer:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Agora é tempo de irem, coelhinhos. \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nE lá voltavam eles aos saltinhos para a moita da floresta.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nMas os coelhos mais velhos foram ficando cada vez mais preocupados com os pequeninos. Certo dia, depois deles terem desaparecido, como era costume, os coelhos mais velhos reuniram-se.",1] );  //--><font face="Times New Roman">O avô Lop recostava-se no tronco, olhava à sua volta e começava, numa voz muito suave e baixa: </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Em tempos que já lá vão, no país da névoa e das coisas mágicas, havia uma floresta encantada…</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">À medida que ia contando a história, muito devagar, algo de estranho e maravilhoso acontecia. O avô Lop começava a endireitar-se cada vez mais. A luz do sol brilhava nos seus olhos castanhos e cintilava pela floresta, e o seu pêlo reluzia. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhinhos ficavam completamente encantados à medida que ele contava a sua história, porque, de um momento para o outro, o velho avô Lop se transformava no mágico da floresta. Os coelhinhos, tão fascinados pela história, nem davam conta quando ela chegava ao fim. O avô tinha de dizer: </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Agora é tempo de irem, coelhinhos. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E lá voltavam eles aos saltinhos para a moita da floresta.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas os coelhos mais velhos foram ficando cada vez mais preocupados com os pequeninos. Certo dia, depois deles terem desaparecido, como era costume, os coelhos mais velhos reuniram-se. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Onde é que eles irão? – perguntavam uns aos outros. \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Desaparecem todos os dias à mesma hora.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Aposto que saem para ir ver aquele inútil do avô Lop – disse um deles. – Só sei que não andam a fazer coisa boa!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nConversaram algum tempo e decidiram que iam descobrir exactamente o que estava a acontecer, mal os coelhinhos voltassem nessa tarde.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nÀ hora do costume, os coelhinhos regressaram e, como combinado, os coelhos mais velhos perguntaram-lhes onde tinham estado.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;– Bem – disse um – fomos à floresta ver o avô Lop e ele contou-nos uma maravilhosa história mágica da floresta. E quando a contava, aconteceu uma coisa ainda mais mágica e maravilhosa: o avô Lop transformou-se no mago do bosque!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Onde é que eles irão? – perguntavam uns aos outros. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Desaparecem todos os dias à mesma hora.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Aposto que saem para ir ver aquele inútil do avô Lop – disse um deles. – Só sei que não andam a fazer coisa boa!</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Conversaram algum tempo e decidiram que iam descobrir exactamente o que estava a acontecer, mal os coelhinhos voltassem nessa tarde.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">À hora do costume, os coelhinhos regressaram e, como combinado, os coelhos mais velhos perguntaram-lhes onde tinham estado.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Bem – disse um – fomos à floresta ver o avô Lop e ele contou-nos uma maravilhosa história mágica da floresta. E quando a contava, aconteceu uma coisa ainda mais mágica e maravilhosa: o avô Lop transformou-se no mago do bosque! </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Eu já sabia! – disse, encolerizado, um dos coelhos mais velhos. – Aquele coelho velho só anda a contar mentiras aos miúdos.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Mas é verdade! – disseram os coelhinhos em coro. – Quando ele nos conta histórias, aparecem sempre estrelas e faíscas. É magia!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nOs coelhos mais velhos saltaram para o lado e falaram em surdina uns com os outros, olhando de vez em quando por cima do ombro. Finalmente, dirigiram-se às crianças e falaram-lhes severamente.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Achamos que vocês estão a mentir porque não existe magia. Por isso vão já para a cama sem jantar e daqui para a frente estão proibidos de tornar a ver esse avô Lop!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nCom as lágrimas a correrem dos olhos, os coelhinhos arrastaram-se até às suas camas. Tinham o coração pesado e o estômago muito vazio.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nNo dia seguinte, como de costume, o avô Lop sentou-se no seu tronco preferido a apanhar sol e à espera que os coelhinhos aparecessem. Esperou, esperou e deve ter caído no sono porque acordou com um sobressalto quando o sol estava a pôr-se. Para seu espanto, não havia nem coelhinhos nem o que quer que fosse à sua volta.\n",1] );  //--><font face="Times New Roman">– Eu já sabia! – disse, encolerizado, um dos coelhos mais velhos. – Aquele coelho velho só anda a contar mentiras aos miúdos.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Mas é verdade! – disseram os coelhinhos em coro. – Quando ele nos conta histórias, aparecem sempre estrelas e faíscas. É magia!</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhos mais velhos saltaram para o lado e falaram em surdina uns com os outros, olhando de vez em quando por cima do ombro. Finalmente, dirigiram-se às crianças e falaram-lhes severamente.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Achamos que vocês estão a mentir porque não existe magia. Por isso vão já para a cama sem jantar e daqui para a frente estão proibidos de tornar a ver esse avô Lop!</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Com as lágrimas a correrem dos olhos, os coelhinhos arrastaram-se até às suas camas. Tinham o coração pesado e o estômago muito vazio.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">No dia seguinte, como de costume, o avô Lop sentou-se no seu tronco preferido a apanhar sol e à espera que os coelhinhos aparecessem. Esperou, esperou e deve ter caído no sono porque acordou com um sobressalto quando o sol estava a pôr-se. Para seu espanto, não havia nem coelhinhos nem o que quer que fosse à sua volta. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nSe calhar esqueceram-se – pensou – mas de certeza que amanhã se vão lembrar – e com isto partiu a coxear em direcção à sua toca na floresta.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;No\u003cspan\&amp;gt;\n  \u003c/span\&amp;gt;dia\u003cspan\&amp;gt;  \u003c/span\&amp;gt;seguinte, e\u003cspan\&amp;gt;  \u003c/span\&amp;gt;no outro\u003cspan\&amp;gt;  \u003c/span\&amp;gt;a seguir, foi um avô\u003cspan\&amp;gt;  \u003c/span\&amp;gt;Lop entris tecido que esperou e esperou pelas crianças, que nunca mais vinham. Por fim, já desesperado, resolveu ir à grande moita do bosque à procura de algum sinal dos coelhinhos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nAo descer, coxeando, pelo caminho abaixo, encostando-se pesadamente à sua bengala, encontrou um dos coelhos mais velhos.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Bom dia! – disse, curvando-se entorpecido em sinal de respeito. – Ando à procura dos coelhinhos do bosque. Costumava contar-lhes histórias, sabe, mas eles deixaram de vir.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Pois ainda bem! – roncou o coelho grande. – Tudo o que aqueles coelhinhos aprenderam consigo foi a mentir e a contar histórias.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nO avô Lop ficou chocado.\u003c/font\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Se calhar esqueceram-se – pensou – mas de certeza que amanhã se vão lembrar – e com isto partiu a coxear em direcção à sua toca na floresta.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">No<span>   </span>dia<span>  </span>seguinte, e<span>  </span>no outro<span>  </span>a seguir, foi um avô<span>  </span>Lop entris tecido que esperou e esperou pelas crianças, que nunca mais vinham. Por fim, já desesperado, resolveu ir à grande moita do bosque à procura de algum sinal dos coelhinhos. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ao descer, coxeando, pelo caminho abaixo, encostando-se pesadamente à sua bengala, encontrou um dos coelhos mais velhos.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Bom dia! – disse, curvando-se entorpecido em sinal de respeito. – Ando à procura dos coelhinhos do bosque. Costumava contar-lhes histórias, sabe, mas eles deixaram de vir.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Pois ainda bem! – roncou o coelho grande. – Tudo o que aqueles coelhinhos aprenderam consigo foi a mentir e a contar histórias.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O avô Lop ficou chocado.</font> <!-- D(["mb","\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Mas eu nunca lhes ensinei a mentir – disse. – Só lhes contei as maravilhosas e mágicas histórias do bosque!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Pois já não vai contar mais nenhuma – disse, irritado, o coelho antes de regressar para a moita.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nFoi um avô Lop muito triste e envelhecido, com uma lágrima a descer-lhe pelas bochechas, que regressou à sua toca na floresta.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nSem nada com que ocupar agora os dias, avô Lop vagueava sem destino pela floresta. Ainda chegou a ir uma ou duas vezes à grande moita da floresta mas, assim que aparecia, os coelhos mais velhos mandavam os coelhinhos pequenos para o outro lado.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Vai embora! – gritavam-lhe então. – Não queremos coelhos velhos na nossa moita. \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nE \u003cspan\&amp;gt; \u003c/span\&amp;gt;com isto \u003cspan\&amp;gt; \u003c/span\&amp;gt;todos os coelhos fugiam precipitadamente para \u003cspan\&amp;gt; \u003c/span\&amp;gt;as suas tocas.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;",1] );  //--></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Mas eu nunca lhes ensinei a mentir – disse. – Só lhes contei as maravilhosas e mágicas histórias do bosque!</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Pois já não vai contar mais nenhuma – disse, irritado, o coelho antes de regressar para a moita.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Foi um avô Lop muito triste e envelhecido, com uma lágrima a descer-lhe pelas bochechas, que regressou à sua toca na floresta.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Sem nada com que ocupar agora os dias, avô Lop vagueava sem destino pela floresta. Ainda chegou a ir uma ou duas vezes à grande moita da floresta mas, assim que aparecia, os coelhos mais velhos mandavam os coelhinhos pequenos para o outro lado. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Vai embora! – gritavam-lhe então. – Não queremos coelhos velhos na nossa moita. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E <span> </span>com isto <span> </span>todos os coelhos fugiam precipitadamente para <span> </span>as suas tocas.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nCompletamente sozinho, o avô Lop deixou a moita aos saltinhos e voltou para o seu recanto do bosque.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nOs coelhinhos bebés fizeram como lhes tinha sido ordenado, mas nunca conseguiram esquecer a magia do mago do bosque. Às vezes, quando estavam todos sozinhos, costumavam segredar o quanto tinha sido divertido, mas a maior parte das vezes arrastavam-se pela moita, levantando a poeira e sentindo-se muito tristes.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nOs coelhos mais velhos tentavam animá-los, e às vezes até lhes contavam uma história ou outra, mas não era a mesma coisa.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nAs coisas foram piorando tanto que os coelhinhos começaram a discutir entre eles. Tudo começava com um coelho a bater noutro, mas acabava-se sempre num emaranhado de braços, pernas e orelhas a debater-se no chão.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nA certa altura, como alguns dos coelhos mais velhos já não aguentavam mais, reuniram os coelhinhos todos.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Isto tem de acabar – disseram. – Com estas caretas e disputas já não se consegue fazer mais nada. Já não se vai apanhar comida, já não se constroem novas tocas e o Inverno está a chegar.",1] );  //--><font face="Times New Roman">Completamente sozinho, o avô Lop deixou a moita aos saltinhos e voltou para o seu recanto do bosque.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhinhos bebés fizeram como lhes tinha sido ordenado, mas nunca conseguiram esquecer a magia do mago do bosque. Às vezes, quando estavam todos sozinhos, costumavam segredar o quanto tinha sido divertido, mas a maior parte das vezes arrastavam-se pela moita, levantando a poeira e sentindo-se muito tristes. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhos mais velhos tentavam animá-los, e às vezes até lhes contavam uma história ou outra, mas não era a mesma coisa.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">As coisas foram piorando tanto que os coelhinhos começaram a discutir entre eles. Tudo começava com um coelho a bater noutro, mas acabava-se sempre num emaranhado de braços, pernas e orelhas a debater-se no chão.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A certa altura, como alguns dos coelhos mais velhos já não aguentavam mais, reuniram os coelhinhos todos.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Isto tem de acabar – disseram. – Com estas caretas e disputas já não se consegue fazer mais nada. Já não se vai apanhar comida, já não se constroem novas tocas e o Inverno está a chegar. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Se pudéssemos ouvir as histórias mágicas do avô Lop – disse um dos coelhinhos – já não arranjávamos mais problemas.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Mas a magia não existe! – disseram zangados os coelhos mais velhos. – Vocês mentiram.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Nós não mentimos! Nós dissemos a verdade e se tivessem vindo connosco, teríamos mostrado como a magia existe mesmo.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nOs coelhos mais velhos pensaram por uns instantes.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Nós vamos com vocês ao vosso mago do bosque – decidiram – só para vos provar que a magia não existe.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nE lá seguiram todos aos saltinhos para a floresta, pelo longo e sinuoso carreiro abaixo, até chegarem ao tronco onde o avô Lop, esperava. Estava, como sempre, ao sol, a contemplar suavemente o céu. Os coelhinhos sentaram-se rapidamente aos seus pés, enquanto os coelhos mais velhos se sentaram, cépticos, num cepo velho e apodrecido.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Se pudéssemos ouvir as histórias mágicas do avô Lop – disse um dos coelhinhos – já não arranjávamos mais problemas.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Mas a magia não existe! – disseram zangados os coelhos mais velhos. – Vocês mentiram.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Nós não mentimos! Nós dissemos a verdade e se tivessem vindo connosco, teríamos mostrado como a magia existe mesmo.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhos mais velhos pensaram por uns instantes.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Nós vamos com vocês ao vosso mago do bosque – decidiram – só para vos provar que a magia não existe.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E lá seguiram todos aos saltinhos para a floresta, pelo longo e sinuoso carreiro abaixo, até chegarem ao tronco onde o avô Lop, esperava. Estava, como sempre, ao sol, a contemplar suavemente o céu. Os coelhinhos sentaram-se rapidamente aos seus pés, enquanto os coelhos mais velhos se sentaram, cépticos, num cepo velho e apodrecido. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nO avô Lop reclinou-se para trás e, com um brilho nos olhos, começou, numa voz suave e baixa:\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n– Há muito tempo, numa terra de névoa e magia, havia uma floresta encantada…\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nOs coelhos mais velhos arregalaram os olhos com espanto ao verem o avô Lop ficar cada vez mais direito. À medida que ia contando a história, a luz do sol começou a brilhar dos seus olhos castanhos claros, e bolinhas de magia começaram a cintilar pela floresta. À medida que ia contando, o pêlo passou de branco a prateado e ele transformou-se no verdadeiro mago do bosque.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nQuando a história chegou a um bonito fim, todos os coelhos, novos e velhos, estavam completamente encantados. O momento era tão belo, que alguns dos coelhos mais velhos tinham até lágrimas nos olhos.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nNinguém disse uma palavra, tal era o medo de quebrar aquele encanto mágico, mas, um a um, todos se aproximaram do avô Lop para o abraçarem com todo o amor que tinham no coração.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nOs coelhos mais velhos nunca pediram desculpa pelo mal que tinham cometido em relação aos coelhinhos e ao avô Lop, porque todos sabiam que, às vezes, até os coelhos mais velhos cometem erros. Mas agora, todos os dias, sempre à mesma hora, todos os coelhos saltam da moita e correm para ir ouvir o avô Lop e vê-lo transformar-se no mago do bosque.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O avô Lop reclinou-se para trás e, com um brilho nos olhos, começou, numa voz suave e baixa:</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">– Há muito tempo, numa terra de névoa e magia, havia uma floresta encantada…</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhos mais velhos arregalaram os olhos com espanto ao verem o avô Lop ficar cada vez mais direito. À medida que ia contando a história, a luz do sol começou a brilhar dos seus olhos castanhos claros, e bolinhas de magia começaram a cintilar pela floresta. À medida que ia contando, o pêlo passou de branco a prateado e ele transformou-se no verdadeiro mago do bosque. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Quando a história chegou a um bonito fim, todos os coelhos, novos e velhos, estavam completamente encantados. O momento era tão belo, que alguns dos coelhos mais velhos tinham até lágrimas nos olhos.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ninguém disse uma palavra, tal era o medo de quebrar aquele encanto mágico, mas, um a um, todos se aproximaram do avô Lop para o abraçarem com todo o amor que tinham no coração.</font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os coelhos mais velhos nunca pediram desculpa pelo mal que tinham cometido em relação aos coelhinhos e ao avô Lop, porque todos sabiam que, às vezes, até os coelhos mais velhos cometem erros. Mas agora, todos os dias, sempre à mesma hora, todos os coelhos saltam da moita e correm para ir ouvir o avô Lop e vê-lo transformar-se no mago do bosque. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4.8pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"color:#003300\"\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Escutem, dos mais velhos,\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;As suas histórias douradas\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E lembrem-se do avô Lop\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E da magia revelada.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:110%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11pt;color:#003300;line-height:110%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;line-height:110%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11pt;color:#003300;line-height:110%\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"> </font> </span></p>
<p align="center" style="line-height:140%;text-align:center;margin:0 0 4.8pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><span style="color:#003300;"></span></span></p>
<p align="center" style="line-height:140%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"></span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"> </font> </span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Escutem, dos mais velhos, </font></span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">As suas histórias douradas </font></span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E lembrem-se do avô Lop </font></span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:140%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E da magia revelada. </font></span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:110%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#003300;line-height:110%;"><font face="Times New Roman"> </font> </span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:110%;text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#003300;line-height:110%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"color:#003300\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" size\u003d\"2\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"color:#003300\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\" size\u003d\"2\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:17pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"color:#003300\"\&amp;gt;\u003cfont size\u003d\"2\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Tradução e adaptação\u003c/font\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"background:white;margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"color:#003300;letter-spacing:-0.2pt\"\&amp;gt;\u003cfont size\u003d\"2\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Stephen Cosgrove\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"background:white;margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"EN-GB\" style\u003d\"color:#003300;letter-spacing:-0.2pt\"\&amp;gt;\n\u003cfont size\u003d\"2\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Grampa-Lop\u003c/font\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"EN-GB\" style\u003d\"color:#003300;letter-spacing:-0.2pt\"\&amp;gt;\u003cfont size\u003d\"2\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Los Angeles, Sloan Publishers, Inc., 1981\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] );  //--><font face="Times New Roman"> </font> </span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;text-align:center;margin:0;"><span style="color:#003300;"></span></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;text-align:center;margin:0;"><span style="color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-indent:17pt;text-align:right;margin:0;"><span style="color:#003300;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Tradução e adaptação</font></font></span></p>
<p align="right" style="background:white;text-align:right;margin:0;"><span style="color:#003300;letter-spacing:-0.2pt;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Stephen Cosgrove</font> </font></span></p>
<p align="right" style="background:white;text-align:right;margin:0;"><em><span style="color:#003300;letter-spacing:-0.2pt;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Grampa-Lop</font></font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="color:#003300;letter-spacing:-0.2pt;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Los Angeles, Sloan Publishers, Inc., 1981</font></font></span></p>
<p>De <a href="http://verticalizar.wordpress.com/">Verticalizar</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=17&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O caminho para a verdade</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 13:39:03 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[contos]]></category>
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		<description><![CDATA[A chuva que caía há dias, parara finalmente nessa tarde. Um suspiro de alívio percorreu a turma toda. Os rapazes sabiam agora que o jogo de futebol, há tanto ansiosamente esperado, poderia ter lugar e já não seria cancelado por causa do mau tempo. — Bom, às três horas no campo de jogos, mas em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=15&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><em><span style="font-size:16pt;color:navy;"></span></em></strong><span style="color:navy;font-family:Tahoma;"></span><span style="color:navy;font-family:Tahoma;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A chuva que caía há dias, parara finalmente nessa tarde. Um suspiro de alívio percorreu a turma toda. Os rapazes sabiam agora que o jogo de futebol, há tanto ansiosamente esperado, poderia ter lugar e já não seria cancelado por causa do mau tempo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bom, às três horas no campo de jogos, mas em ponto! — diz Matias para Ricardo, ao irem juntos para casa no fim das aulas. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ricardo abana a cabeça e murmura algo de incompreensível sempre que Matias dá pontapés nas pedras do caminho para ensaiar golos. Tenta acertar num tronco, numa pedra, ou até numa determinada folha de um ramo. Ricardo já não suporta este hábito. É que Matias tem tudo menos boa pontaria. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">As suas brincadeiras com as pedras já haviam causado aborrecimentos que chegassem. Matias achava que era precisamente por isso que devia treinar mais. Como se dar pontapés a pedras fosse de uma importância vital! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ainda Ricardo não tinha acabado de pensar e já se ouvia o barulho de vidros partidos: a última pedra de Matias tinha voado direitinho à janela da entrada do Sr. Gilberto. Ricardo ficou petrificado a olhar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— O melhor agora é fugir! — ouviu Matias sibilar. E, num pinote, o autor da asneira desapareceu a correr pela rua abaixo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ricardo ainda estava a olhá-lo, confuso, quando sentiu que alguém o agarrava pela gola e o puxava com força. À sua frente, furioso e ofegante, estava o senhor Gilberto.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Até que enfim que te apanhei, rapazinho! Espera lá, que te vou entregar já ao teu pai, e vais ver o que te vai acontecer!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Às três horas em ponto, Matias apareceu no campo de jogos mas, por mais que procurasse Ricardo, não o encontrou.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;&quot;Afinal sempre o apanharam&quot;, pensou Matias &quot;e, ou assumiu ele a culpa, ou não o deixaram falar. Já é costume. O pai dele, às vezes, é muito severo.&quot;\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--><font face="Times New Roman">Ainda Ricardo não tinha acabado de pensar e já se ouvia o barulho de vidros partidos: a última pedra de Matias tinha voado direitinho à janela da entrada do Sr. Gilberto. Ricardo ficou petrificado a olhar. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— O melhor agora é fugir! — ouviu Matias sibilar. E, num pinote, o autor da asneira desapareceu a correr pela rua abaixo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ricardo ainda estava a olhá-lo, confuso, quando sentiu que alguém o agarrava pela gola e o puxava com força. À sua frente, furioso e ofegante, estava o senhor Gilberto. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Até que enfim que te apanhei, rapazinho! Espera lá, que te vou entregar já ao teu pai, e vais ver o que te vai acontecer! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Às três horas em ponto, Matias apareceu no campo de jogos mas, por mais que procurasse Ricardo, não o encontrou. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">&#8220;Afinal sempre o apanharam&#8221;, pensou Matias &#8220;e, ou assumiu ele a culpa, ou não o deixaram falar. Já é costume. O pai dele, às vezes, é muito severo.&#8221; </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","Matias ficou de pé, na tribuna, a olhar para o campo vazio, \nem baixo. Combinavam quase sempre encontrar-se uma hora antes, para arranjarem um bom lugar. Mas, de um momento para o outro, Matias perdeu o entusiasmo pelo jogo. Pensava no vidro da janela, em Ricardo, e a má consciência atormentava-o. Devagar e de cabeça baixa, abandonou o campo e encaminhou-se, hesitante, para a casa dos pais de Ricardo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Foi o pai em pessoa que lhe abriu a porta. Furioso como estava, nem sequer deixou Matias falar, dizendo-lhe asperamente:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— É inútil, rapaz! O Ricardo está fechado no quarto, de castigo a fazer os trabalhos de casa… Ele que te conte tudo na segunda-feira, na escola. Até lá, já só faltam dois dias e meio — e voltou para dentro, fechando a porta com força.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Matias voltou a tocar à campainha insistentemente e, desesperado, acabou por bater à porta com os punhos. Não podia aceitar uma injustiça daquelas. Mas nada se ouvia dentro de casa.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Os pensamentos atropelavam-se-lhe na cabeça.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;&quot;Muito bem&quot;, pensava ele, &quot;então vou contar-lhe a verdade pelo telefone. E se ele também não me deixa falar pelo telefone?&quot;\n",1] );  //-->Matias ficou de pé, na tribuna, a olhar para o campo vazio, em baixo. Combinavam quase sempre encontrar-se uma hora antes, para arranjarem um bom lugar. Mas, de um momento para o outro, Matias perdeu o entusiasmo pelo jogo. Pensava no vidro da janela, em Ricardo, e a má consciência atormentava-o. Devagar e de cabeça baixa, abandonou o campo e encaminhou-se, hesitante, para a casa dos pais de Ricardo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Foi o pai em pessoa que lhe abriu a porta. Furioso como estava, nem sequer deixou Matias falar, dizendo-lhe asperamente: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— É inútil, rapaz! O Ricardo está fechado no quarto, de castigo a fazer os trabalhos de casa… Ele que te conte tudo na segunda-feira, na escola. Até lá, já só faltam dois dias e meio — e voltou para dentro, fechando a porta com força. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Matias voltou a tocar à campainha insistentemente e, desesperado, acabou por bater à porta com os punhos. Não podia aceitar uma injustiça daquelas. Mas nada se ouvia dentro de casa. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os pensamentos atropelavam-se-lhe na cabeça. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">&#8220;Muito bem&#8221;, pensava ele, &#8220;então vou contar-lhe a verdade pelo telefone. E se ele também não me deixa falar pelo telefone?&#8221; <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De repente, Matias tem uma ideia e volta a correr para casa. A mãe ainda não tinha regressado do trabalho. Procurou papel de carta e um envelope, escreveu a toda a pressa umas linhas no papel e levou a carta à estação dos correios mais próxima. Mostrou ao empregado o dinheiro que lhe sobrava da semanada e perguntou:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Chega para mandar uma carta por correio-expresso para a cidade?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Chega e sobra, rapaz.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— E a carta é entregue agora mesmo?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O empregado olhou-o sorrindo e respondeu:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Há fogo? Não tenhas medo, que estás com sorte. A carta pode chegar ao destino em meia hora. Ex-cepcio-nal-mente!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Matias entregou a carta, feliz.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">De repente, Matias tem uma ideia e volta a correr para casa. A mãe ainda não tinha regressado do trabalho. Procurou papel de carta e um envelope, escreveu a toda a pressa umas linhas no papel e levou a carta à estação dos correios mais próxima. Mostrou ao empregado o dinheiro que lhe sobrava da semanada e perguntou: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Chega para mandar uma carta por correio-expresso para a cidade? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Chega e sobra, rapaz. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— E a carta é entregue agora mesmo? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O empregado olhou-o sorrindo e respondeu: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Há fogo? Não tenhas medo, que estás com sorte. A carta pode chegar ao destino em meia hora. Ex-cepcio-nal-mente! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Matias entregou a carta, feliz. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Uma meia hora mais tarde, o pai de Ricardo abria uma carta, entregue por um estafeta motorizado. E, admirado, leu:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nCaro Sr. Pinto,\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nVenho, por este meio, provar-lhe que a verdade afinal sempre consegue entrar em sua casa. Fui eu que parti o vidro da janela e vou pagá-lo com a minha próxima semanada.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nEspero pela resposta em frente à sua casa.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Com os meus cumprimentos\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cdiv style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Matias\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cdiv style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\n\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Uma meia hora mais tarde, o pai de Ricardo abria uma carta, entregue por um estafeta motorizado. E, admirado, leu: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Caro Sr. Pinto,</font></span></em></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Venho, por este meio, provar-lhe que a verdade afinal sempre consegue entrar em sua casa. Fui eu que parti o vidro da janela e vou pagá-lo com a minha próxima semanada.</font></span></em></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Espero pela resposta em frente à sua casa.</font></span></em></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"></span></em></p>
<p align="right" style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Com os meus cumprimentos</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Matias</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt; \u003c/div\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A resposta que o pai de Ricardo deu a Matias pesava quase \n40 kg e vinha a rir-se. O pai tinha mandado Ricardo. Assim que viu o amigo sentado à espera na soleira da porta, disse-lhe:\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Matias, tu és o maior maluco do mundo! O que tu fizeste… bem, nunca hei-de esquecer.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ora — resmungou Matias — não fales tanto, se não ainda vamos perder a segunda parte do jogo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:4.8pt 0cm;text-indent:17pt;line-height:117%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:11pt;color:navy;line-height:117%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:4.8pt 0cm;text-indent:17pt;line-height:117%;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\n\u003ci\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"DE\" style\u003d\"font-size:11pt;color:navy;line-height:117%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Eva Rechlin\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:4.8pt 0cm;text-indent:17pt;line-height:117%;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\n\u003ci\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"DE\" style\u003d\"font-size:11pt;color:navy;line-height:117%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"DE\" style\u003d\"font-size:10pt;color:navy\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Jutta Modler (org)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"DE\" style\u003d\"font-size:10pt;color:navy\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\nBrücken Bauen\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cdiv style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"DE\" style\u003d\"font-size:10pt;color:navy\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></em></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A resposta que o pai de Ricardo deu a Matias pesava quase 40 kg e vinha a rir-se. O pai tinha mandado Ricardo. Assim que viu o amigo sentado à espera na soleira da porta, disse-lhe:</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Matias, tu és o maior maluco do mundo! O que tu fizeste… bem, nunca hei-de esquecer. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:navy;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ora — resmungou Matias — não fales tanto, se não ainda vamos perder a segunda parte do jogo. </font></span></p>
<p style="text-indent:17pt;line-height:117%;text-align:justify;margin:4.8pt 0;"><em><span style="font-size:11pt;color:navy;line-height:117%;"></span></em></p>
<p align="right" style="text-indent:17pt;line-height:117%;text-align:right;margin:4.8pt 0;"><em><span style="font-size:11pt;color:navy;line-height:117%;"><font face="Times New Roman">Eva Rechlin</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-indent:17pt;line-height:117%;text-align:right;margin:4.8pt 0;"><em><span style="font-size:11pt;color:navy;line-height:117%;"></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:navy;"><font face="Times New Roman">Jutta Modler (org)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;color:navy;"><font face="Times New Roman">Brücken Bauen</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:navy;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Wien, Herder, 1987\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cdiv style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"DE\" style\u003d\"font-size:10pt;color:navy\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;tradução e adaptação\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--><font face="Times New Roman">Wien, Herder, 1987</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:navy;"><font face="Times New Roman">tradução e adaptação</font></span></p>
<p>De <a href="http://verticalizar.wordpress.com/">Verticalizar</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=15&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>À beira do lume</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 13:34:16 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[avós]]></category>
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		<description><![CDATA[Sossegadas as balbúrdias do dia, já a noite vinha devagarinho deitar pozinhos de sono por aqui e por ali. Sentadas à lareira da velha casa, a avó e a neta começaram a pensar qual havia de ser a última história do dia. — Conte lá a história da Carochinha! — pediu a Mariana. A avó [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=14&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><em><span style="font-size:22pt;color:#660033;font-family:FlamencoD;"></span></em></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="color:#660033;"></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Sossegadas as balbúrdias do dia, já a noite vinha devagarinho deitar pozinhos de sono por aqui e por ali. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Sentadas à lareira da velha casa, a avó e a neta começaram a pensar qual havia de ser a última história do dia. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Conte lá a história da Carochinha! — pediu a Mariana. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A avó admirou-se: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Outra vez?! Mas tu nunca me deixas acabar como deve ser&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Hoje deixo! — prometeu a menina. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E a avó contou a história da Carochinha, como ela é conhecida. Falou da Carochinha à janela, toda contente por ter encontrado uma moeda ao varrer sua casinha:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— &quot;Quero eu, quero eu!&quot; — tinham dito um cão, um gato, um galo, um boi, um burro...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas a Carochinha não tinha gostado da voz de nenhum deles e todos se tinham ido embora. Até que apareceu um ratinho: &quot;Quero eu, quero eu!&quot;\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Oh, como és engraçado! Ora fala um bocadinho, para eu ouvir bem a tua voz!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Chi... Chi... Chi...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Que linda fala! Vamos já casar! Vamos já casar!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E assim foi. No dia da boda, já iam a caminho da igreja para o casório, quando a Carochinha deu por falta de uma luva que tinha esquecido na cozinha, ao mexer o panelão que fervia ao lume.\n",1] );  //--><font face="Times New Roman">E a avó contou a história da Carochinha, como ela é conhecida. Falou da Carochinha à janela, toda contente por ter encontrado uma moeda ao varrer sua casinha: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha? </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— &#8220;Quero eu, quero eu!&#8221; — tinham dito um cão, um gato, um galo, um boi, um burro&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas a Carochinha não tinha gostado da voz de nenhum deles e todos se tinham ido embora. Até que apareceu um ratinho: &#8220;Quero eu, quero eu!&#8221; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Oh, como és engraçado! Ora fala um bocadinho, para eu ouvir bem a tua voz! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Chi&#8230; Chi&#8230; Chi&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Que linda fala! Vamos já casar! Vamos já casar! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E assim foi. No dia da boda, já iam a caminho da igreja para o casório, quando a Carochinha deu por falta de uma luva que tinha esquecido na cozinha, ao mexer o panelão que fervia ao lume. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Vou já buscar a luva! — disse o ratinho, muito amável.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Tem cuidado, não te debruces no caldeirão!!! — avisou a noiva.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bem — continuou a avó — o ratinho foi até à cozinha e...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A neta, que ouvia a história com muita atenção, disse de repente: — Mas a porta estava fechada!!!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A avó continuou:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Pronto, a porta estava fechada e então o ratinho foi logo a ver da chave...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Mas não a encontrou!!! — disse muito depressa a Mariana.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bem — continuou a avó — o ratinho então subiu a um postigo de grades que dava para a cozinha, e...\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Vou já buscar a luva! — disse o ratinho, muito amável. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Tem cuidado, não te debruces no caldeirão!!! — avisou a noiva. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bem — continuou a avó — o ratinho foi até à cozinha e&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A neta, que ouvia a história com muita atenção, disse de repente: — Mas a porta estava fechada!!! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A avó continuou: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Pronto, a porta estava fechada e então o ratinho foi logo a ver da chave&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Mas não a encontrou!!! — disse muito depressa a Mariana. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bem — continuou a avó — o ratinho então subiu a um postigo de grades que dava para a cozinha, e&#8230; <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Viu que não cabia por entre as grades!!! — acudiu muito aflita a Mariana.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A avó não desistiu:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bem, então o ratinho, que era muito esperto e queria ir buscar lá dentro da cozinha a luva da Carochinha, pôs-se à procura de um buraco na porta pelo qual entrasse...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Mas não encontrou!!! A porta era nova! — interrompeu a Mariana\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bem, então não pôde ir buscar a luva da Carochinha à cozinha e voltou muito triste para junto da sua noiva, que...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ó avó, escusa de dizer agora que ela lhe deu a chave da cozinha, porque eu sei que não deu nada!!! — quase gritou a neta.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Por acaso era isso mesmo que eu ia dizer... — riu a avó.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Viu que não cabia por entre as grades!!! — acudiu muito aflita a Mariana. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A avó não desistiu: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bem, então o ratinho, que era muito esperto e queria ir buscar lá dentro da cozinha a luva da Carochinha, pôs-se à procura de um buraco na porta pelo qual entrasse&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Mas não encontrou!!! A porta era nova! — interrompeu a Mariana </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bem, então não pôde ir buscar a luva da Carochinha à cozinha e voltou muito triste para junto da sua noiva, que&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ó avó, escusa de dizer agora que ela lhe deu a chave da cozinha, porque eu sei que não deu nada!!! — quase gritou a neta. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Por acaso era isso mesmo que eu ia dizer&#8230; — riu a avó. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E as duas, avó e neta, ali ficaram a rir e a brincar à beira do lume e à beira de uma velha história da Carochinha que a neta não queria, por nada deste mundo, que acabasse…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\ncom o João Ratão\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\ncozido e assado\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;line-height:140%;text-align:center\" align\u003d\"center\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\ndentro do caldeirão!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 2pt;text-indent:22.7pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11pt;color:#660033;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;color:#660033\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Maria Alberta Menéres\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;color:#660033\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Histórias de tempo vai tempo vem\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;color:#660033\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Edições Asa, 1988\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E as duas, avó e neta, ali ficaram a rir e a brincar à beira do lume e à beira de uma velha história da Carochinha que a neta não queria, por nada deste mundo, que acabasse… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"></span></p>
<p align="center" style="line-height:140%;text-align:center;margin:0 0 2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">com o João Ratão</font></span></em></p>
<p align="center" style="line-height:140%;text-align:center;margin:0 0 2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">cozido e assado</font></span></em></p>
<p align="center" style="line-height:140%;text-align:center;margin:0 0 2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;color:#660033;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">dentro do caldeirão!</font></span></em></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11pt;color:#660033;line-height:150%;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#660033;"><font face="Times New Roman">Maria Alberta Menéres</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;color:#660033;"><font face="Times New Roman">Histórias de tempo vai tempo vem </font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#660033;"><font face="Times New Roman">Porto, Edições Asa, 1988</font></span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p><!-- D(["ce"]);  //--></p>
<p>De <a href="http://verticalizar.wordpress.com/">Verticalizar</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/14/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=14&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O avô diz sempre a verdade!</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 13:10:37 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
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		<category><![CDATA[morte]]></category>

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		<description><![CDATA[O avô está deitado na cama. Morto. Com velas a arder à direita e à esquerda. — E onde é que estão as asas? — pergunta o João. — Chiu! — diz a mãe. — Mas o avô disse-me que, quando morremos, ganhamos asas. — Chiu — repete a mãe. — Ele não tem nenhumas? [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=12&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0 0 2pt;"><em><span style="font-size:14pt;color:#003366;"></span></em></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O avô está deitado na cama. Morto. Com velas a arder à direita e à esquerda. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— E onde é que estão as asas? — pergunta o João. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Chiu! — diz a mãe. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas o avô disse-me que, quando morremos, ganhamos asas. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Chiu — repete a mãe.</font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Ele não tem nenhumas? — pergunta o João </font></span><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">cheio de medo. — Ainda lhe vão crescer? </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Chiu! – torna a mãe. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas o avô disse que já estava feliz por ir voar — disse o João. — Só que sem asas, ele não consegue! </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A mãe chega-o para si e põe-lhe a mão na boca. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Por favor, está calado. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— O melhor é levá-lo lá para fora — diz em voz baixa a tia Mimi. — Está a incomodar. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O tio Francisco empurra-o à sua frente para fora da porta. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas o avô nunca mentiu — grita o João lá fora. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Agora vais portar-te bem e vais subir para o teu quarto — diz o tio Francisco. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">João agarra-se com força ao corrimão das escadas. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Se não tem asas, é porque não está morto — diz. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Disso não percebo nada — diz o tio Francisco. — Disso nenhum de nós percebe. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas o avô percebe! — diz o João — Podes perguntar-lhe! </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Está bem — diz o tio. — E agora porta-te bem e vai para o teu quarto. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Vais ver que ele não mente — diz o João. </font></span></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E sobe as escadas calmamente. </font></span></p>
<p align="right" style="background:white;line-height:12.8pt;text-align:right;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;letter-spacing:-0.4pt;">Lene Mayer-Skumanz (org.)</span><span style="font-size:11.5pt;color:#003366;"></span></font></p>
<p align="right" style="background:white;line-height:12.8pt;text-align:right;margin:0;"><font face="Times New Roman"><em><span style="font-size:11pt;color:#003366;letter-spacing:-0.15pt;">Hoffentlich bald</span></em><span style="font-size:11pt;color:#003366;"></span></font></p>
<p align="right" style="background:white;line-height:12.8pt;text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#003366;letter-spacing:-0.3pt;"><font face="Times New Roman">Wien, Herder Verlag, 1986</font></span></p>
<p align="right" style="background:white;line-height:12.8pt;text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#003366;letter-spacing:-0.3pt;"><font face="Times New Roman">tradução e adaptação</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=12&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O meu paizinho de nada</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 13:01:45 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
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		<category><![CDATA[pais]]></category>
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		<description><![CDATA[Durante muito tempo, acreditei que não tinha pai. Era o que os outros diziam: — Tu nem sequer tens pai. Não valia a pena dizerem-mo, eu bem via que não. Não tinha pai para me encher a bola esvaziada, não tinha pai para me vir buscar à escola ao sábado, não tinha pai para meter [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=11&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><span style="font-size:16pt;color:#410264;"></span></strong><span style="font-size:11pt;color:#410264;"></span><span style="font-size:11pt;color:#410264;"></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Durante muito tempo, acreditei que não tinha pai. Era o que os outros diziam: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Tu nem sequer tens pai. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Não valia a pena dizerem-mo, eu bem via que não. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Não tinha pai para me encher a bola esvaziada, não tinha pai para me vir buscar à escola ao sábado, não tinha pai para meter medo a quem se metesse comigo, não tinha pai para ver como eu era campeão de corrida, não tinha pai para me levar às cavalitas quando eu estava cansadíssimo. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Então, um dia, perguntei à minha mãe: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Porque é que eu nunca tive pai?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Tiveste um — disse-me a mãe. — Tiveste um pai como toda a gente; teve de ser... Chamava-se Luís e parecia-se com… sei lá…. Olha, com um bago seco, pronto. Mas deixa-me em paz… Prefiro não falar disso.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Mas porque é que agora já não tenho? Morreu?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Para mim — disse a minha mãe — é como se estivesse morto e enterrado. Deixa-me em paz, já te disse.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Quer dizer que eu tinha tido um pai, como toda a gente. Mas não vou tê-lo mais. Morto e enterrado. Que pena. Se calhar foi para a guerra e morreu lá. Guerras que fazem morrer os papás são coisas que acontecem todos os dias. Perguntei à minha mãe se tinha uma fotografia dele e ela respondeu.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Isso ia pôr-me mal-disposta.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Por isso não voltei a perguntar-lhe mais nada. \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><font face="Times New Roman">— Porque é que eu nunca tive pai? </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Tiveste um — disse-me a mãe. — Tiveste um pai como toda a gente; teve de ser&#8230; Chamava-se Luís e parecia-se com… sei lá…. Olha, com um bago seco, pronto. Mas deixa-me em paz… Prefiro não falar disso. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Mas porque é que agora já não tenho? Morreu? </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Para mim — disse a minha mãe — é como se estivesse morto e enterrado. Deixa-me em paz, já te disse. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Quer dizer que eu tinha tido um pai, como toda a gente. Mas não vou tê-lo mais. Morto e enterrado. Que pena. Se calhar foi para a guerra e morreu lá. Guerras que fazem morrer os papás são coisas que acontecem todos os dias. Perguntei à minha mãe se tinha uma fotografia dele e ela respondeu. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Isso ia pôr-me mal-disposta. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Por isso não voltei a perguntar-lhe mais nada. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Na escola, contei que o meu pai estava morto e enterrado. Os outros não acreditaram:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Não é verdade. Quem morre são os avós, não são os pais. Os pais nunca morrem.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— E morrem! — disse eu. — Morrem na guerra.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ah! Ah! Ah! Na França nem sequer há guerra — disseram eles. — Isso da guerra era no tempo dos avós, portanto estás a ver! Não pode ser, o teu pai não pode ter morrido na guerra. Ou, então, o teu pai morreu quando era pequeno!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Foi isso — disse eu, para me deixarem em paz. — Morreu quando éramos os dois pequenos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas, mesmo assim, enervava-me um bocado não saber ao certo. Perguntei então à minha avó, que toma conta de mim quando a mãe não pode.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— O pai morreu quando era pequeno?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Na escola, contei que o meu pai estava morto e enterrado. Os outros não acreditaram: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Não é verdade. Quem morre são os avós, não são os pais. Os pais nunca morrem. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— E morrem! — disse eu. — Morrem na guerra. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ah! Ah! Ah! Na França nem sequer há guerra — disseram eles. — Isso da guerra era no tempo dos avós, portanto estás a ver! Não pode ser, o teu pai não pode ter morrido na guerra. Ou, então, o teu pai morreu quando era pequeno! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Foi isso — disse eu, para me deixarem em paz. — Morreu quando éramos os dois pequenos. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas, mesmo assim, enervava-me um bocado não saber ao certo. Perguntei então à minha avó, que toma conta de mim quando a mãe não pode. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— O pai morreu quando era pequeno? </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A minha avó até caiu para trás, de tanto rir.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Tu tens cada uma!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E chamou o avô para lhe contar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Sabes a última? — perguntou ela a rir. — O miúdo perguntou-me: \n\u003ci\&amp;gt;O meu pai morreu quando era pequeno?\u003c/i\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O avô não se riu. Ele, também, nunca se ri. Encolheu os ombros e mais nada. Aproveitou para beber um copo, já que o tinham chamado à cozinha, e voltou ao trabalho.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A avó disse-me:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Não se sabe se morreu, mas, para mim, é como se tivesse…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— A mãe também diz que é como se tivesse…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A minha avó até caiu para trás, de tanto rir. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Tu tens cada uma! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E chamou o avô para lhe contar. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Sabes a última? — perguntou ela a rir. — O miúdo perguntou-me: <em>O meu pai morreu quando era pequeno?</em></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O avô não se riu. Ele, também, nunca se ri. Encolheu os ombros e mais nada. Aproveitou para beber um copo, já que o tinham chamado à cozinha, e voltou ao trabalho. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A avó disse-me: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Não se sabe se morreu, mas, para mim, é como se tivesse… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— A mãe também diz que é como se tivesse… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— É o melhor que ela faz — replicou a avó. — O teu pai era um senhor pequenino, um maltrapilho, um Zé-Ninguém, menos do que nada, pronto. Desapareceu e ainda bem!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Foi o que a avó disse.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E, depois, não disse mais nada, porque ela comigo só diz blá, blá, blá, embora muitas vezes eu até a faça rir. \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Sentia-me muito contente por ter tido um pai, mesmo que tenha sido um senhor muito pequenino, um homem de nada. E depois também fiquei contente por saber que não tinha morrido em pequeno, porque isso teria sido ainda mais injusto, acho eu.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E foi assim que me pus a pensar nele, à noite, no escuro, e pouco a pouco, comecei a pensar nele cada vez mais. E todas as noites, antes de adormecer, perguntava-lhe coisas em pensamento: como fazer para não ter pesadelos e proteger-me dos vampiros que chupam sobretudo o sangue das raparigas, mas pode às vezes algum confundir-me… nunca se sabe… \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Eu não falava a ninguém do meu paizinho de nada. Porque é que havia de fazê-lo? Deitava-me e, assim que estava no escuro, pensava em mim, e depois não pensava em nada, o que me levava sempre a pensar nele. Era assim que as coisas se passavam.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— É o melhor que ela faz — replicou a avó. — O teu pai era um senhor pequenino, um maltrapilho, um Zé-Ninguém, menos do que nada, pronto. Desapareceu e ainda bem! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Foi o que a avó disse. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E, depois, não disse mais nada, porque ela comigo só diz blá, blá, blá, embora muitas vezes eu até a faça rir. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Sentia-me muito contente por ter tido um pai, mesmo que tenha sido um senhor muito pequenino, um homem de nada. E depois também fiquei contente por saber que não tinha morrido em pequeno, porque isso teria sido ainda mais injusto, acho eu. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E foi assim que me pus a pensar nele, à noite, no escuro, e pouco a pouco, comecei a pensar nele cada vez mais. E todas as noites, antes de adormecer, perguntava-lhe coisas em pensamento: como fazer para não ter pesadelos e proteger-me dos vampiros que chupam sobretudo o sangue das raparigas, mas pode às vezes algum confundir-me… nunca se sabe… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Eu não falava a ninguém do meu paizinho de nada. Porque é que havia de fazê-lo? Deitava-me e, assim que estava no escuro, pensava em mim, e depois não pensava em nada, o que me levava sempre a pensar nele. Era assim que as coisas se passavam. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas uma noite não foi assim.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Deitei-me, primeiro pensei em mim, como de costume, e quando ia a pensar em nada, ele apareceu. Como viera até ali, não sei. Talvez tenha caído ali, em cima da cama, mesmo ao meu lado. Fiquei deveras surpreendido, mas não tive medo. Porque é que havia de ter medo de um homenzinho de nada? Não acendi a luz. Não fosse ele desaparecer, como acontece com os fantasmas… \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De qualquer modo, com o luar, via-se super-bem. Eu olhava para ele… A minha avó não estava enganada… Era, na verdade, um homenzinho que não valia nada, um miserável, menos que nada. Além disso, não dizia nada. Nem sequer olhava para mim. Olhava para o tecto como se quisesse saber o que estava a fazer ali, ou, então, observava as moscas, sei lá. Eu até sustinha a respiração. Era tão pequeno… Se eu respirasse muito forte, podia até levantar voo… Ele ali estava, com o olhar fixo no tecto, assim, sem se mexer, sem dizer nada, como se estivesse morto…, mas não estava nada morto. E os olhos dele brilhavam no escuro. Aproximei-me o mais que pude. Tanto, que os seus cabelos roçavam-me na cara. Tão perto, que senti que aquele maltrapilho tinha os pés gelados.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Então disse para mim que lhos ia aquecer. E pus os dois pezinhos de nada nas minhas mãos. É melhor assim, não é, paizinho? dizia eu na minha cabeça, porque, a ele, eu não sabia o que dizer…\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas uma noite não foi assim. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Deitei-me, primeiro pensei em mim, como de costume, e quando ia a pensar em nada, ele apareceu. Como viera até ali, não sei. Talvez tenha caído ali, em cima da cama, mesmo ao meu lado. Fiquei deveras surpreendido, mas não tive medo. Porque é que havia de ter medo de um homenzinho de nada? Não acendi a luz. Não fosse ele desaparecer, como acontece com os fantasmas… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">De qualquer modo, com o luar, via-se super-bem. Eu olhava para ele… A minha avó não estava enganada… Era, na verdade, um homenzinho que não valia nada, um miserável, menos que nada. Além disso, não dizia nada. Nem sequer olhava para mim. Olhava para o tecto como se quisesse saber o que estava a fazer ali, ou, então, observava as moscas, sei lá. Eu até sustinha a respiração. Era tão pequeno… Se eu respirasse muito forte, podia até levantar voo… Ele ali estava, com o olhar fixo no tecto, assim, sem se mexer, sem dizer nada, como se estivesse morto…, mas não estava nada morto. E os olhos dele brilhavam no escuro. Aproximei-me o mais que pude. Tanto, que os seus cabelos roçavam-me na cara. Tão perto, que senti que aquele maltrapilho tinha os pés gelados. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Então disse para mim que lhos ia aquecer. E pus os dois pezinhos de nada nas minhas mãos. É melhor assim, não é, paizinho? dizia eu na minha cabeça, porque, a ele, eu não sabia o que dizer… <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Já devia ser um pé-descalço há muito, muito tempo, o meu paizinho de nada, porque eu não conseguia dar calor suficiente aos seus pequenos pés.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E eis que as suas mãozinhas se puseram a tremer ao lado do corpo, como se fosse uma espécie de pássaro ferido com as asas a palpitar de frio, de medo ou de outra coisa, mas não sei de quê.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Então, finalmente, apertei-o contra mim. Fiz asneira. Teve que ser com muito cuidado para não assustar o meu paizinho de nada. Ficou ali apoiado contra o meu coração que batia com muita força, deitado a olhar para o tecto, sempre; mas agora via que ele estava a sorrir, e eu dizia para comigo \n\u003ci\&amp;gt;&quot;Ora esta! Se a minha mãe visse este sorriso!&quot;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O seu sorriso, adivinhem lá, era exactamente o meu! Aquele que a mãe gosta tanto de me ver fazer nas fotografias. \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Sorri, Luís — está sempre ela a dizer-me quando me tira uma fotografia.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Já devia ser um pé-descalço há muito, muito tempo, o meu paizinho de nada, porque eu não conseguia dar calor suficiente aos seus pequenos pés. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E eis que as suas mãozinhas se puseram a tremer ao lado do corpo, como se fosse uma espécie de pássaro ferido com as asas a palpitar de frio, de medo ou de outra coisa, mas não sei de quê. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Então, finalmente, apertei-o contra mim. Fiz asneira. Teve que ser com muito cuidado para não assustar o meu paizinho de nada. Ficou ali apoiado contra o meu coração que batia com muita força, deitado a olhar para o tecto, sempre; mas agora via que ele estava a sorrir, e eu dizia para comigo <em>&#8220;Ora esta! Se a minha mãe visse este sorriso!&#8221;</em></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O seu sorriso, adivinhem lá, era exactamente o meu! Aquele que a mãe gosta tanto de me ver fazer nas fotografias. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Sorri, Luís — está sempre ela a dizer-me quando me tira uma fotografia. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","Porque é que ela quer que eu arreganhe assim a beiça, se não há nada de engraçado? Isso é um mistério!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas ao ver o sorriso do meu paizinho de nada, começo a sorrir sem que ninguém mo peça, e ali ficamos como dois palermas, a sorrir e a olhar para o tecto.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Talvez as moscas se perguntem porque é que nós, o meu pai e eu, nos divertimos tanto. Só que nós nada temos a ver com tectos, moscas e aparelhos fotográficos ou qualquer outra coisa.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Eu e o meu paizinho de nada rimos sem motivo e quanto mais digo que não há motivo para rir, mais eu e o pai nos escangalhamos a rir, mas silenciosamente, para não acordar ninguém. Até choramos os dois um bocadinho! \n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ah! Que bem que nos fez, rir assim, por nada!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O meu paizinho já não tem mais frio. Os pés estão quentinhos e as pequenas mãos abanam no escuro. Pergunto-me o que estará ele a fazer. Sentou-se em cima do meu peito e parece estar à procura de qualquer coisa. Vasculha os bolsos, vira-os do avesso. Não há nada lá dentro, nem um lenço sequer, mas, de qualquer maneira, os pais não choram… Apalpa-se por todo o lado, como se lhe tivessem roubado a carteira. Mas o que é que está ele ali a remexer?\n",1] );  //-->Porque é que ela quer que eu arreganhe assim a beiça, se não há nada de engraçado? Isso é um mistério! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas ao ver o sorriso do meu paizinho de nada, começo a sorrir sem que ninguém mo peça, e ali ficamos como dois palermas, a sorrir e a olhar para o tecto. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Talvez as moscas se perguntem porque é que nós, o meu pai e eu, nos divertimos tanto. Só que nós nada temos a ver com tectos, moscas e aparelhos fotográficos ou qualquer outra coisa. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Eu e o meu paizinho de nada rimos sem motivo e quanto mais digo que não há motivo para rir, mais eu e o pai nos escangalhamos a rir, mas silenciosamente, para não acordar ninguém. Até choramos os dois um bocadinho! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ah! Que bem que nos fez, rir assim, por nada! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O meu paizinho já não tem mais frio. Os pés estão quentinhos e as pequenas mãos abanam no escuro. Pergunto-me o que estará ele a fazer. Sentou-se em cima do meu peito e parece estar à procura de qualquer coisa. Vasculha os bolsos, vira-os do avesso. Não há nada lá dentro, nem um lenço sequer, mas, de qualquer maneira, os pais não choram… Apalpa-se por todo o lado, como se lhe tivessem roubado a carteira. Mas o que é que está ele ali a remexer? <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Desce do meu peito, levanta a beira do lençol, a ponta da almofada.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Então eu digo-lhe baixinho:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— O que é que perdeste?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas ele só me fez &quot;Chiu&quot;, pondo o dedo em cima dos lábios.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Sinto que estou com sono, com tanto sono que até estou com medo. Não quero dormir, mas sinto que já estou a começar! Já penso em mim, depois em nada e nele, no meu paizinho de nada; digo a mim próprio que tenho de arranjar peúgas, calçado, para que não tenha mais frio nos pés…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Começo a pensar nele como se já não estivesse ali! Sinto-o a afastar-se, a ir embora, descalço, tal como veio… Quero impedi-lo de partir!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Fica, fica comigo… — sussurro.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Desce do meu peito, levanta a beira do lençol, a ponta da almofada. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Então eu digo-lhe baixinho: </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— O que é que perdeste? </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas ele só me fez &#8220;Chiu&#8221;, pondo o dedo em cima dos lábios. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Sinto que estou com sono, com tanto sono que até estou com medo. Não quero dormir, mas sinto que já estou a começar! Já penso em mim, depois em nada e nele, no meu paizinho de nada; digo a mim próprio que tenho de arranjar peúgas, calçado, para que não tenha mais frio nos pés… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Começo a pensar nele como se já não estivesse ali! Sinto-o a afastar-se, a ir embora, descalço, tal como veio… Quero impedi-lo de partir! </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Fica, fica comigo… — sussurro. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ele murmura ao meu ouvido qualquer coisa que não entendo, mas na bochecha, e isto é mesmo certo, não posso estar enganado, sinto qualquer coisa tão doce, tão leve, um beijinho de nada…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Quando me levanto, sinto-me um bocadinho enjoado. Digo para mim mesmo que talvez tenha sonhado e isso ainda me faz sentir mais enjoado.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Esta manhã, a mãe disse-me que tenho má cara, que pareço um cadáver, disse ela, e manda-me ir lavar-me. Olho para o espelho e então vejo… o meu paizinho de nada deixou-me qualquer coisa…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Quando sorrio para o espelho, agora, tenho uma pequena cova… Faz um buraquinho na minha bochecha, exactamente ali, onde ele me beijou…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Um buraquinho de nada…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-indent:1cm;line-height:122%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11pt;color:#410264;line-height:122%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;color:#410264\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Jo Hoestlandt\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan lang\u003d\"FR\" style\u003d\"font-size:10pt;color:#410264\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ele murmura ao meu ouvido qualquer coisa que não entendo, mas na bochecha, e isto é mesmo certo, não posso estar enganado, sinto qualquer coisa tão doce, tão leve, um beijinho de nada… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Quando me levanto, sinto-me um bocadinho enjoado. Digo para mim mesmo que talvez tenha sonhado e isso ainda me faz sentir mais enjoado. </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Esta manhã, a mãe disse-me que tenho má cara, que pareço um cadáver, disse ela, e manda-me ir lavar-me. Olho para o espelho e então vejo… o meu paizinho de nada deixou-me qualquer coisa… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Quando sorrio para o espelho, agora, tenho uma pequena cova… Faz um buraquinho na minha bochecha, exactamente ali, onde ele me beijou… </font></span></p>
<p style="text-indent:22.7pt;line-height:140%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#410264;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Um buraquinho de nada… </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:122%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#410264;line-height:122%;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#410264;"><font face="Times New Roman">Jo Hoestlandt</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;color:#410264;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","\nMon petit papa de rien du tout\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;color:#410264\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Arles, Actes Sud Junior, 2000\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt;color:#410264\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Tradução e adaptação\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //-->Mon petit papa de rien du tout</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#410264;"><font face="Times New Roman">Arles, Actes Sud Junior, 2000</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#410264;"><font face="Times New Roman">Tradução e adaptação</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=11&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O meu avô, às vezes…</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 12:48:42 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[avós]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando a minha avó morreu, o meu avô passou a morar sozinho no andar por baixo do nosso. O pequeno-almoço e o jantar prepara-os ele e, ao almoço, vem todos os dias a nossa casa. Quem lhe trata da casa e da roupa é a minha mãe. Os meus pais resmungam um pouco de cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=10&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:119%;text-align:center;margin:0;"><em><span style="font-size:16pt;color:#383f1b;line-height:119%;"></span></em></p>
<p align="center" style="text-indent:17pt;line-height:119%;text-align:center;margin:0;"><em><span style="font-size:16pt;color:#383f1b;line-height:119%;"></span></em></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quando a minha avó morreu, o meu avô passou a morar sozinho no andar por baixo do nosso. O pequeno-almoço e o jantar prepara-os ele e, ao almoço, vem todos os dias a nossa casa. Quem lhe trata da casa e da roupa é a minha mãe. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Os meus pais resmungam um pouco de cada vez que vem, porque ele ouve muito mal, mas recusa-se a usar o aparelho. Costuma dizer que, com ele posto, ouve o próprio mastigar, e que não lhe agrada nada. Assim, ouvimo-lo nós e ainda por cima duas vezes mais alto! Mas é claro que nunca nenhum de nós diria isso ao avô. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Quando venho da escola e quero contar alguma coisa importante à minha mãe, não consigo. O avô fala ininterruptamente, e ainda por cima, sempre da mesma coisa: da vida no tempo dele, e principalmente, do último carro que teve. Sempre o mesmo! E tão alto, que nós nem conseguimos ouvir-nos uns aos outros. Mas zanga-se a sério se não o ouvirmos com atenção! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A minha mãe diz que o avô a enerva, e o meu pai concorda. Ele também já não aguenta mais a eterna conversa sobre o carro. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Outra coisa que o avô também tem sempre de dizer, são as compras que fez nesse dia e o que está a pensar comer à noite. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas, avô, acabou agora mesmo de nos contar isso! — interrompe às vezes a minha mãe. O meu avô faz um aceno de cabeça mas continua. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Isto acontece porque ele passa muito tempo sozinho e não tem mais ninguém com quem falar durante o dia! — diz o meu pai, quando nos ouve barafustar. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Então, ficamos cheios de pena do avô e prometemos ser mais amáveis com ele no almoço seguinte. Que diga pela vigésima vez o que lhe agrada tanto no seu automóvel, que nós vamos ouvi-lo com toda a atenção para que perceba que todos nos interessamos pelo seu carrinho. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O avô também gosta sempre de beber café com leite depois das refeições, mas não podemos esquecer-nos de trazer o leite num jarro, por exemplo. Ou noutra coisa qualquer, menos na embalagem. E, por muito que gostemos do avô, há uma coisa que vamos ter de continuar a esconder: os jornais e os prospectos de publicidade. É que o avô tem a mania de ler em voz alta tudo o que apanha, e nem quer saber se nós estamos interessados em ouvir o que está escrito no pacote do leite ou nos prospectos de publicidade. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Infelizmente, por mais cautelas que tivermos e por mais que arrumemos tudo o que possa ser lido, o avô acaba sempre por encontrar qualquer coisa. Ainda ontem ao almoço leu-nos uma factura que tinha vindo de manhã pelo correio. A minha mãe tinha-a posto ao lado do prato dela para a mostrar ao meu pai, e eu não devia saber de nada porque era de uma prenda de anos para mim, mas, quando o avô a apanhou, já era demasiado tarde… </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O avô também traz sempre a agenda dele e lê-nos regularmente tudo o que anotou: o aniversário da tia Gertrudes, quando tem de levar carro à revisão, quando vêm buscar o ferro-velho, e quando sai o próximo número das palavras cruzadas. Quando as datas chegam, esquece-se do aniversário da tia Gertrudes, da revisão e do ferro-velho. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Às vezes rio-me tanto por causa do avô! Tem ideias brilhantes para tudo. Põe a mesa do pequeno-almoço à noite, de véspera. Como não gosta de lavar a loiça, tem sempre uma bacia com água e detergente em cima da banca, onde põe toda a loiça suja que juntou durante o dia. Antes de ir dormir, deita a água fora e deixa secar a loiça durante a noite. Diz que, assim, há já muito tempo que não usa panos da cozinha. E é precisamente por isso que a minha mãe volta a lavar tudo de cada vez que ele devolve qualquer coisa. E, quando me oferece sumo, eu lavo primeiro o copo muito bem. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas está limpo! — admira-se ele. Então eu digo que o sumo me sabe melhor bebido por um copo molhado. — Cada um tem a sua mania! — ri o meu avô. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Também me rio de cada vez que o vejo a limpar a tábua do pequeno-almoço com o aspirador pequenino. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— É muito mais higiénico do que lavar com água! — explica. — A madeira absorve só a água e deixa ficar as migalhas, e o aspirador limpa tudo melhor. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Ugh! — arrepia-se a minha mãe. O meu pai bem tenta tirar-lhe a ideia do aspirador, mas ele nem ouve. Já está a contar-lhe aos berros qualquer coisa sobre o carro ou sobre o queijo que comprou hoje e que vai comer mais tarde. O meu pai bem olha para a minha mãe à procura de ajuda, mas ela ri e encolhe os ombros. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Como gosta tanto de conduzir, o avô vai todas as manhãs ao supermercado, só que como ele precisa de muito poucas coisas, acaba sempre por comprar em demasia. E porque acha que todas as promoções são boas e baratas, compra em tanta quantidade, que acaba por nos dar o que lhe sobra. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Ele faz isto com boa intenção — diz o meu pai. Mas a minha mãe zanga-se porque ela já foi às compras e nenhum de nós come as salsichas enlatadas mais baratas do mercado ou a sopa de pacote. Ela compra tudo fresco e tem em atenção a qualidade, enquanto o avô só olha ao preço. Quando traz um queijo enorme, por exemplo, fica todo contente por ter comprado um tão grande por tão pouco dinheiro. Que a validade já tenha acabado, isso não o incomoda. E como, de qualquer forma, não consegue comer tanto queijo, acaba por oferecê-lo logo todo inteirinho à minha mãe, que ainda por cima tem de agradecer, embora na verdade fique zangada. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas só uma vez é que a minha mãe se zangou a sério com o avô: foi quando ele resolveu não lhe dar tanto trabalho e ao mesmo tempo poupar pó da máquina. Andou uma semana inteirinha sem tirar a roupa interior. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Eu estou a poupar — disse à minha mãe. — Antigamente também não se trocava de roupa interior todos os dias. Assim, tu não precisas de pôr sempre a máquina a trabalhar, e vocês poupam energia. Todos os dias vem no jornal que se deve poupar energia, e é assim que se começa! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Assim não se começa nada! — gritou a minha mãe. E gritou tão alto, que o avô ficou assustado a olhar para ela. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Pronto, está bem! — disse ele. — Eu só queria dar menos trabalho! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Então a minha mãe abraçou-o e disse-lhe que não tinha falado por mal. E entretanto o avô já passou a mudar a roupa todos os dias. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Na semana passada, de um momento para o outro, o meu avô não conseguiu levantar-se de manhã. Tinha dores no corpo todo. A minha mãe chamou logo o médico e nós ficámos muito preocupados com ele. Acabou por ter de ficar dois dias internado no hospital. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Esteve de cama até ontem. A minha mãe levou-lhe todos os dias a comida, mas hoje já se levantou e já tomou o pequeno-almoço na cozinha. Daqui a pouco vem almoçar connosco. Tivemos tanto medo! Agora estamos contentes por tê-lo de novo ao almoço. Sentimos muito a falta dele. E eu jurei passar a prestar-lhe sempre atenção. Mesmo quando me conta a mesma coisa quinze vezes seguidas. O avô não tem mais ninguém que o ouça, e precisa de nós. E nós precisamos dele, porque lhe queremos muito. </font></span></p>
<p align="right" style="line-height:117%;text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#383f1b;line-height:117%;"><font face="Times New Roman">Rolf Krenzer</font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:117%;text-align:justify;margin:10pt 0 2pt;"><span style="font-size:11pt;color:#383f1b;line-height:117%;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#383f1b;"><font face="Times New Roman">Jutta Modler (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9pt;color:#383f1b;"><font face="Times New Roman">Brücken Bauen</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#383f1b;"><font face="Times New Roman">Wien, Herder, 1987</font></span></p>
<p align="right" style="text-indent:1cm;line-height:117%;text-align:right;margin:10pt 0 2pt;"><span style="font-size:9pt;color:#383f1b;line-height:117%;"><font face="Times New Roman">Traduzido e adaptado</font></span><span style="font-size:11pt;color:#383f1b;line-height:117%;"></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=10&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Escuta as vozes da terra</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 12:40:56 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[avós-netos]]></category>
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		<description><![CDATA[Durante a infância, o meu avô era o meu melhor amigo. Quando estávamos juntos, tudo me parecia perfeito. Gostávamos ambos de passear pelos bosques. Nunca íamos muito longe, nem andávamos muito depressa. Escolhíamos caminhos sinuosos. Enquanto caminhávamos, fazia‑lhe imensas perguntas. ― Avô, por que…? ― O que se passaria se…? ― Será que às vezes…? [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=6&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-indent:21.3pt;line-height:120%;text-align:center;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:14pt;color:#003300;line-height:120%;"></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:120%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11pt;color:#003300;line-height:120%;"></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Durante a infância, o meu avô era o meu melhor amigo. Quando estávamos juntos, tudo me parecia perfeito. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Gostávamos ambos de passear pelos bosques. Nunca íamos muito longe, nem andávamos muito depressa. Escolhíamos caminhos sinuosos. Enquanto caminhávamos, fazia‑lhe imensas perguntas. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Avô, por que…? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― O que se passaria se…? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Será que às vezes…? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um dia, perguntei-lhe: </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Avô, o que é uma oração? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O meu avô ficou em silêncio durante muito tempo. Quando chegámos junto das árvores mais altas da floresta, respondeu-me com uma pergunta: </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Alguma vez ouviste o murmúrio das árvores? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Pus-me à escuta, atento, mas em vão. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Vê como as árvores sobem até ao céu. Tentam subir sempre mais. Querem chegar às nuvens, ao sol, à lua e às estrelas. Procuram elevar-se até ao céu. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Pensei nas árvores, procurei ouvi-las. Enquanto reflectia, sentei-me numa rocha velha, coberta de musgo. O meu avô explicou: </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― As rochas e as montanhas também falam connosco. A sua calma e o seu silêncio inspiram-nos tranquilidade. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Depois de ter reflectido durante bastante tempo, peguei numa pedra e coloquei-a no meu bolso. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Caminhámos um pouco mais, até junto de um ribeiro. A água borbulhava, cintilava, e viam-se pequenos peixes a nadar. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Avô, os ribeiros também murmuram? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Claro. Bem como todos os lagos, rios e cursos de água. Às vezes, correm tranquilamente. Espelham as nuvens, os pássaros, o sol ou as estrelas. Outras vezes, escoam-se em redemoinhos, lançam-se no mar ou evaporam-se no céu. E o ciclo recomeça… Também se riem e divertem com os seus amigos rochedos. Dançam, saltam, tornam a cair… </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Mas a natureza conhece outras formas de se exprimir. As ervas altas procuram o sol e as flores exalam o seu perfume doce. Quanto ao vento, sussurra, geme, suspira, e sopra-nos as suas palavras. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Escuta o canto dos pássaros de manhã cedo, escuta o seu silêncio antes do nascer do sol. Consegues ouvir a melodia do pintarroxo ao cair da tarde? Os animais correm pela floresta, tornam-se reluzentes com a água, escalam montanhas, voam até às nuvens, ou refugiam-se na terra. É assim que todos os seres vivos participam na beleza do mundo… </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Calámo-nos os dois. O meu avô olhava o horizonte e eu reflectia no que ele me tinha dito sobre as rochas, as árvores, a erva, os pássaros e as flores. Acabei por lhe perguntar de que modo rezavam os homens. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O meu avô sorriu e passou a mão pelos meus cabelos. Respondeu: </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Tal como a natureza, os homens têm a sua linguagem própria. Podem inclinar-se para cheirar uma flor, ver o sol despontar no horizonte, sentir a terra mover-se docemente, ou saudar o dia que começa. Podemos passear num bosque coberto de neve num dia de Inverno e ver o nosso próprio sopro confundir-se com o sopro do mundo. A música e a pintura são também formas de nos exprimirmos, de falarmos… </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Às vezes, sentimo-nos tristes, doentes ou isolados. Então, repetimos as palavras que os nossos pais e avós nos legaram. Mas é preciso que cada um encontre as suas próprias palavras. O que é importante é dizer o que verdadeiramente se sente, o que nos vem do coração. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Passado algum tempo, o meu avô disse-me que eram horas de regressar. Mas eu tinha uma última pergunta: </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Há respostas para as nossas orações? </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Sorriu.</font> </span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Se as escutarmos atentamente, as orações contêm as suas próprias respostas. Nós somos como as árvores, o vento e a água. Não podemos mudar o que nos rodeia, mas podemos mudar-nos a nós mesmos. É evoluindo que transformamos o mundo. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Depois deste passeio, ainda voltámos a passear juntos. De cada vez, tentei escutar as vozes da terra, mas creio que nunca as ouvi. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um dia, o meu avô deixou-nos. Continuei a pensar nele com todas as minhas forças, mas ele não voltou. Não podia voltar. Rezei até mais não poder. Depois, deixei de o fazer. Sem ele, tudo me parecia sombrio, e sentia-me muito só. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Alguns anos mais tarde, durante um passeio, sentei-me debaixo de uma árvore enorme. Os ramos mexiam e as folhas sussurravam. Ouvi o murmúrio de um ribeiro e o canto de um pintarroxo, pendurado numa madressilva. Ouvi também um ligeiro sussurro, misturado com o sopro do vento, com o canto dos pássaros e com o marulho da água. </font></span></p>
<p style="text-indent:21.25pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Tal como o meu avô me ensinara, a terra falava comigo. Então, também eu murmurei, docemente: </font></span></p>
<p style="text-indent:18pt;line-height:150%;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">― Obrigado pelas árvores grandes e pelas flores, pelos rochedos e pelos pássaros. E, sobretudo… obrigado pelo meu avô! </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Foi então que algo aconteceu. Senti – outra vez – o meu avô perto de mim… </font></span></p>
<p style="text-indent:21.3pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;color:#003300;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">E, pela primeira vez desde há muito tempo, tudo me parecia perfeito. </font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"><font face="Times New Roman">Douglas Wood</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:8pt;color:#003300;"><font face="Times New Roman">Escuta as vozes da terra</font> </span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:8pt;color:#003300;"><font face="Times New Roman">Paris, Gründ, 2000</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span style="font-size:8pt;color:#003300;">Tradução e adaptação</span><span style="color:#003300;"></span></font></p>
<p>De <a href="http://verticalizar.wordpress.com/">Verticalizar</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/geracoesedialogo.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/geracoesedialogo.wordpress.com/6/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=6&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Farta de receber ordens</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jul 2007 12:22:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[família e valores]]></category>
		<category><![CDATA[pais-filhos]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma vez uma menina que estava farta de estar em casa. Farta, farta, farta que a mandassem para a escola; farta, farta, farta que se zangassem com ela para comer; farta, farta, farta que a obrigassem a vestir o que não queria e farta, farta, farta de não mandar nada em ninguém e toda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=geracoesedialogo.wordpress.com&amp;blog=1407438&amp;post=9&amp;subd=geracoesedialogo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-indent:19.85pt;line-height:120%;margin:0 0 2pt;"><strong><em><span style="font-size:20pt;color:#791e8e;line-height:120%;font-family:Sylfaen;"></span></em></strong></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:120%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><strong><span style="font-size:12pt;color:#791e8e;line-height:120%;"></span></strong></p>
<p><span style="font-size:12pt;color:#791e8e;line-height:145%;font-family:Sylfaen;"></span><span style="font-size:12pt;color:#791e8e;line-height:145%;font-family:Sylfaen;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;font-family:Sylfaen;"></span></span><span style="font-size:12pt;color:#791e8e;line-height:145%;font-family:Sylfaen;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;font-family:Sylfaen;"></p>
<p style="text-indent:19.85pt;line-height:120%;margin:0 0 2pt;"><strong><em><span style="font-size:20pt;color:#3e0000;line-height:120%;"></span></em></strong><strong><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:120%;"></span></strong></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Era uma vez uma menina que estava farta de estar em casa. Farta, farta, farta que a mandassem para a escola; farta, farta, farta que se zangassem com ela para comer; farta, farta, farta que a obrigassem a vestir o que não queria e farta, farta, farta de não mandar nada em ninguém e toda a gente mandar nela! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Além disso, a menina estava amuada desde que tinha nascido, por lhe terem chamado Cátia Vanessa, quando preferia mil vezes que a tivessem baptizado como Penélope. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Um dia queixou-se à mãe: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Mãe estou farta, farta, farta! Quero outra vida, quero mandar muito! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">E a mãe desatou-se a rir (os adultos às vezes riem nas alturas mais estúpidas) e respondeu: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Então faz-te à vida, filha: arranja casa e emprego, e depois mandas em quem quiser obedecer-te. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">A Cátia Vanessa, ou Penélope como gostava de se imaginar, foi ter com o pai e repetiu-lhe a pergunta: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Pai, pai, estou farta, farta, farta desta casa&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">O pai, que estava a aparafusar uma estante, olhou para ela lá de cima, e disse-lhe: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Ó minha amiga, põe a trouxa às costas e faz-te à vida! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Estava tudo doido naquela casa, pensou a Cátia Penélope Vanessa. E, ainda por cima, o pai e a mãe tinham aquela irritante mania de dizerem sempre a mesma coisa, mesmo quando não esta­vam juntos. Se fossem os pais dos seus amigos tinham-se atirado aos pés dos filhos a pedir-lhes para não se irem embora, a prometerem presentes se ficassem&#8230; Mas os pais da Cátia Vanessa, tinham dito, mais coisa menos coisa: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Se não estás bem, muda-te! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Era demais! Agora ia mesmo fugir de casa, e depois é que os pais haviam de ver! Pegou numa mala e atirou as suas coisas mais preciosas lá para dentro: uma camisa de noite, a <em>t-shirt</em> com o golfinho de que mais gostava, uma bolsinha com moedas de ouro que a avó, mãe da mãe, lhe tinha dado em pequenina, e duas escovas de prata, herdadas da avó mãe do pai, que já tinha morrido. Depois, bateu a porta com o maior estrondo que pôde e começou a descer a rua, com um passo rápido. De vez em quando olhava por cima do ombro: de certeza que, com aquela barulheira, os pais tinham percebido que fugira e vinham atrás dela&#8230; </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Mas, estranhamente, nada. E a Cátia Penélope Vanessa teve de virar a esquina, sabendo que nenhuma pessoa grande estava com ela&#8230; Quando se viu naquela rua onde nunca tinha estado sozinha, sentiu-se um bocadinho assustada. Assustada porque se tinha esquecido de pensar para onde ia. Não podia ir para casa de avós, nem de tios, nem de amigas, porque, se não, ligavam logo aos pais a dizer onde ela estava, e assim eles não se assustavam. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Sentou-se num degrau e pensou e pensou&#8230; Uma velhinha de lenço preto na cabeça, que ia a passar, parou para lhe falar: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Perdeste-te, menina? — perguntou a senhora. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">A Cátia deu um salto e agarrou-se com mais força à sua mala. Mas, como fora de casa era bem-educada (a maioria das pessoas são mais educadas fora de casa, vá-se lá saber porquê!), respondeu: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Eu fugi de casa, mas não tenho para onde ir. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">E a velhinha, tentando esconder o sorriso, perguntou, curiosa: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Porque é que fugiste? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Aí a menina ficou um bocado envergonhada: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Porque queria mandar muito! E porque estava farta de receber ordens de toda a gente&#8230; — murmurou baixinho. — E então os meus pais disseram para ir procurar alguém que obedecesse às minhas ordens, porque na casa deles, mandavam eles. É injusto! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">A velhinha ficou muito séria. Pensou, pensou e depois respondeu: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Já sei! Tenho exactamente aquilo de que precisas. Espera aqui um bocadinho que já volto. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">E a menina Cátia esperou, porque também não tinha para onde ir. E, minutos depois, a velhinha voltou com um cachorrinho pequenino, de um castanho muito clarinho, orelhas compridas e um focinho com bigodes. E disse: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— É para ti. Assim não vais sentir-te tão sozinha, e podes mandar nele. Mas manda bem, porque os cães sabem muito bem o que é justo e o que não é. E se não for, é natural e bem feito que te dê uma dentada. Mas se for bem mandado, dá-te lambidelas e salta para brincar contigo. </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">A Cátia Penélope Vanessa ficou muito, muito contente. Disse obrigada várias vezes e voltou a subir a rua inclinada até à porta de casa. E agora, como é que ia voltar sem que fizessem troça dela? E se estivessem zangados? Mas, mesmo antes de ter tido tempo de abrir a porta, a porta abriu-se e a mãe agarrou-a ao colo, e apertou-a com muita força: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Minha pateta, ainda bem que voltaste! Não conseguíamos viver sem ti! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">E o pai desceu do escadote, atirou-a ao ar e disse: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Não voltes a fugir, está bem? </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">E a Cátia mostrou-lhes o cão pequenino, e a mãe e o pai disseram que sim, que podia ficar com ele, desde que lhe desse de comer, o levasse ao veterinário e a passear à rua, o educasse a não fazer chichi dentro de casa e a não morder, e a obedecer às ordens dos donos. A Cátia olhou espantada: </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">— Mas isso é o que vocês fazem comigo! </font></span></p>
<p style="text-indent:1cm;line-height:145%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:12pt;color:#3e0000;line-height:145%;"><font face="Times New Roman">Desataram todos a rir e a Cátia Penélope Vanessa decidiu que pelo menos um erro não ia repetir: não ia baptizar o cão com um nome de que ele não gostasse. Por isso perguntou-lhe como é que ele queria chamar-se. Como ele respondeu «Ão-ão», foi como «Ão-ão» que foi baptizado. </font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#3e0000;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:#3e0000;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="color:#3e0000;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Isabel Stilwell</font></font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="color:#3e0000;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Histórias para contar em 1 minuto e ½ </font></font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="color:#3e0000;"><font size="2"><font face="Times New Roman">Lisboa, Verso da Kapa, 2005</font></font></span></p>
<p></span></span></p>
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